Publicado às 14h10 desta quarta-feira (10)

A beleza da vida mostrou sua força e germinou em felicidade nesta quarta-feira (10), em Serra Talhada. Hoje, moradores do bairro Ipsep foram surpreendidos com uma cena chocante. Um bebê despido sobre a própria placenta ao relento, ao frio e a própria sorte. A genitora o abandonou, após dar a luz.

A criança foi encontrada em um terreno baldio no bairro Ipsep, próximo à Unidade de Saúde da Família (USF Ipsep 3), na Rua Maria Elisabeth Arruda de Medeiros. Dois pedreiros passavam no local, bem no início da manhã, e escutaram os sons de socorro da recém-nascida [saiba mais].

A menina, sem mesmo ter sido registrada, já vem sendo chamada por aqueles que lhe socorreram e prestaram os primeiros cuidados de “Vitória”. Além dos pedreiros, uma terceira pessoa veio em socorro de “Vitória”. Era Francilene Cordeiro da Silva, 33 anos, que trabalha como cabeleireira.

ENTREVISTA FRANCILENE

Em uma emocionante conversa com o Farol, Francilene, que é moradora da comunidade, nos contou que aguardava para agendar um atendimento odontológico no posto de saúde próximo ao terreno que a bebê foi encontrada, quando os pedreiros, com “Vitória”, nos braços lhe pediram ajuda.

“De lá do terreno eles gritaram: ‘Minha gente, uma criança, corre! corre!’. Saí correndo do posto e o homem disse que ela estava deitada no meio do mato sem cobertor, só com a placenta e que tinha um pano ensanguentado perto dela”, relatou Franciele. Ela conta que a criança foi envolvida naquele pano e levada a seus braços pelos pedreiros.

“Daí foi chegando mais gente para ver e queriam acionar os Bombeiros, mas eu e outra mulher, chamada Joelma, decidimos não esperar os Bombeiros e levar logo a criança para o hospital. Fomos para Dr. Nena. Lá fizeram todos os cuidados, deram banho, trocaram de roupa e uma mulher que tinha acabado de dar a luz lá no hospital doou seu leite para ela. Depois a polícia veio e eu fui para a Delegacia e o Conselho Tutelar veio e levou ela”.

Tímida, Francilene Cordeiro da Silva não nos autorizou a tirar fotos do seu rosto.

REAÇÃO HERÓICA

Ao Farol, a cabeleireira confessou que ficou incrédula ao ver a criança abandonada em um terreno, disse que sentiu medo, mas sabia que teria que agir rápido ou o bebê poderia não sobreviver.

“Primeiro, eu fiquei sem acreditar, depois eu senti muito medo. A criança estava gelada, roxa e dura de frio. Foi por isso que a gente se desesperou. Ela estava acordada, mexia o olho, mas não chorava e nem expressava reação nenhuma. Tiveram momentos que pensamos que a criança não iria sobreviver. Fiquei com medo, mas feliz. Acontecer uma coisa dessas na vida da pessoa é uma benção”.

ADOÇÃO

Francilene ainda declarou que gostaria de adotar a menina “Vitória”. Ela é casada, mas ainda não tem filhos e enfatiza que o amor será o mesmo para um filho gerado em seu ventre ou um adotivo.

“Quando ela saiu do hospital já estava coradinha e chorou na hora do banho, abriu o olho, foi quando  tivemos certeza que tinha força. Ela é uma criança saudável e as enfermeiras chamaram de ‘Vitória’ e virou celebridade, todo mundo tirou foto. Inclusive, eu tenho total interesse na criança, muito mesmo. Eu quero adotá-la, sei que isso não é fácil, mas vou até a Justiça e mostrar que tenho interesse. Se for da vontade de Deus ele vai me ajudar”.

CONSELHO TUTELAR

Em conversa com o Farol, o conselheiro tutelar Antônio Alves explicou que a criança está sob os cuidados da Casa de Apoio e Acolhimento à Criança e ao Adolescente (CAACA) enquanto é aberto um inquérito para investigar o caso e a Justiça determinar o destino da pequena ‘Vitória’.

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