Por Giovanni Sá, Editor do Farol de Notícias

Acho que agora chegou a hora de pegar no terço, orar para Javé ou clamar aos orixás. Serra Talhada cravou esta semana três homicídios, incluindo um brutal assassinato de uma mulher de trinta anos. Já cravamos 26 mortes este ano, faltando apenas 14 para carimbarmos o mesmo placar do ano passado.

O irônico é que a violência cresce em Serra Talhada e em todo Pernambuco, quando o governo Paulo Câmara anuncia a posse de mais 1.500 policiais no combate. Noves fora nada, pelo menos 1.200 penduraram a farda em função da aposentadoria.

A sensação é que estamos num ‘mato sem cachorro’ porque  combate à criminalidade não passa por um mero aumento do quadro policial. Há um exército de homens de boa vontade, trabalhadores fardados que saem diariamente de suas casas sem saber se irão retornar. Também estão num mato sem cachorro com coletes vencidos, viaturas sucateadas e armamentos defasados diante a tecnologia da bandidagem.

A Polícia Civil, coitada, acabou se transformando numa central de boletins de ocorrências. Faltam homens para investigar e os processos se acumulam, muitas delegacias sequer têm internet e encontram-se sucateadas e por ai vai. Também estão num mato sem cachorro.

Diante o caos cresce o coro dos desesperados: bandido bom é bandido morto? será? A gente não tem peito de cobrar do estado que não vem fazendo o seu papel, mas achamos que o atalho do ‘olho por olho, dente por dente’ é o mais fácil.

Não temos sequer câmeras de segurança em nossa aldeia. Estamos perdidos e rezando para não sermos a próxima vítima.

O curioso, nisso tudo, é que se aproximam as eleições e os que se dizem oposição não apresentam soluções e surfam no discurso fácil do quanto pior melhor.

Estamos perdendo, mas não estamos perdidos. A urna eletrônica, no ano que vem, pode ter a força de um míssil devastador ou um cadafalso para o próprio eleitor. Por enquanto, vamos continuar contando os mortos. 27, 28, 29, 30…

 

 

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