praçaPraça Sérgio Magalhães, em Serra Talhada, no início de 1940

As reformas urbanistas realizadas nas grandes e médias cidades brasileiras proporcionaram o surgimento de novos hábitos e, em contrapartida, sepultou velhos costumes dos seus moradores. Na esteira dessa modernidade, Serra Talhada encontra-se transitando entre esses dois polos; o novo e o velho.

Foi com o olhar nessa fase de transição que eu e o incansável repórter fotográfico do FAROL, Alejandro Garcia, viajamos virtualmente até a Serra Talhada da década de 70, do século passado, para encontrar as explicações para a origem do apelido do famoso “banco da diva”.

Seria a diva, uma loira sedutora? Uma prostituta? Ou seria mais uma lenda urbana?

A GESTÃO NILDO PEREIRA E A REFORMA DA PRAÇA SÉRGIO MAGALHÃES
banco divaO ‘banco da Diva’ –  Departamento de Investigação de Vidas Alheias-

Foi durante a gestão do prefeito Nildo Pereira (1969/1973), que as Praças Sérgio Magalhães e Barão Pajeú sofreram as suas maiores transformações, ganhando as características existentes até os dias atuais. As duas praças – na verdade não deveria existir a divisão nominal da praça – são alguns dos maiores cartões postais da cidade e passagem obrigatória de quem visita a região.

O grande volume de pessoas que sempre transita pela praça chamou a atenção de um grupo de curiosos e observadores da vida alheia, que em meados dos anos 70, estabeleceram um espaço para se debater a vida dos outros. O local escolhido foi um banco estrategicamente localizado na Praça Barão do Pajeú com vista para a Praça Sérgio Magalhães e as ruas adjacentes. Quem sobe ou quem desce as praças obrigatoriamente têm que passar pelo famoso banco, que foi batizando carinhosamente de DIVA – Departamento de Investigação de Vidas Alheias.

UMA ÉPOCA EM QUE FALAR DA VIDA ALHEIA ERA SÍMBOLO DE AMIZADE E RESPEITO

Segundo o professor João Antunes, tudo começou quando um grupo de jovens resolveu conversar diariamente até altas horas da noite. “Não se sabe quem deu o nome, mas os cadeiras cativas eram Ivo Policarpo e Aluízio (Nenê), infelizmente os dois já  faleceram”. A empresária Ana Maria de Souza Neri, mais conhecida como ‘Aninha’, relata que o banco só era frequentado por homens e que praticamente todos ganhavam apelidos.

“Era uma época de igualdade. Onde todos eram iguais. As brincadeiras eram sadias e não havia tantas maldades como nos dias de hoje”, destaca a empresária. Aninha acrescenta que “foi do banco da diva que surgiram muitas das fofocas que foram publicadas nos jornais ‘o Linguarudo’ e o ‘Tesoura’, apesar das polêmicas nunca ocorreu nenhuma briga por causa das fofocas”.

Outro profundo conhecedor dos frequentadores do banco da diva é Seu Carlos, dono de um dos bares mais tradicionais do centro cidade há mais de 25 anos. Seu Carlos relata que apesar de alguns frequentadores do banco cultivarem os hábitos dos velhos boêmios, ele nunca viu nenhuma confusão no local. “A coisa mais triste que vi foi à morte de um rapaz que foi atropelado logo que saiu do banco há mais de 10 anos”, revelou.

UMA NOVA GERAÇÃO SE MOLDA COM O OLHAR PARA O FUTURO, MAS AS PRAÇAS FICARAM NO PASSADO

banco everestBanco ‘Everest’ ponto de encontro para troca de mensagens nas redes sociais

Ao longo das últimas décadas as Praças Sérgio Magalhães e Barão do Pajéu vêm sofrendo com o abandono e falta de conservação da sua estrutura física. A iluminação é precária e os postes e as lâmpadas são aos moldes da sua última reforma, há mais de quatro décadas. O próprio banco perdeu um pouco do seu charme em função da derrubada inconsequente do pé de azeitona que ficava ao seu lado.

Muitos jovens praticamente não conhecem nada sobre a história do banco da diva e dos seus personagens, muitos, talvez, já tenham sentado no local, mas nem imaginam que por ali já passaram médicos, advogados, engenheiros, músicos, compositores, dezenas de anônimos, que ao longo dos anos transformaram um simples banco e um espaço para diversos encontros e reencontros.

Apesar disso, é importante destacar que as novas gerações constroem as suas próprias identidades. Um dos “points” da nova geração é a calçada do BNB (Banco do Nordeste). No entanto, um outro local que mais se assemelha com o banco da diva, é popularmente conhecido como o “everest”, também é um banco da praça que fica localizado em frente à Igreja Matriz da Penha. Os frequentadores do banco da diva e everest se comunicam através de grupos do  whatsapp .

Um bom domingo a todos e até a próxima história esquecida de Serra Talhada!

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