Publicado às 13h30 desta quarta (13)

Após o registro de pelo menos 12 assaltos a mão armada [leia aqui] num intervalo de 3h, ocorridos na zona rural de Serra Talhada na última segunda (11), o Farol conseguiu conversar com uma das vítimas: o mototaxista Ailton Expedito da Silva, 46 anos.

Ele pede para não ter a sua foto revelada e conta em detalhes como três bandidos usando radio amadores roubaram várias pessoas na estrada que liga Serra às comunidades do Ramalhete, Cipós e Caiçarinha da Penha.

 

Entrevista – Ailton Expedito – Mototaxista

Farol: Senhor Ailton, bom dia. O que aconteceu na última segunda-feira?

Ailton: Bom dia, Giovanni. Bom dia, Serra Talhada. Eu ia para Tauapiranga, no Sítio São José, quando eu me deparei com essa situação terrível e humilhante. Fui assaltado junto de mais algumas pessoas e passamos por uma situação que eu não desejo para ninguém.

Farol: Eu queria que você relatasse, Ailton. O que exatamente aconteceu?

Ailton: Ao sair da pista, da PE-390 de Floresta, mais ou menos uns 200 m ou antes um pouco, dois assaltantes pularam na minha frente com arma em punho. Duas pessoas, cada um com arma em punho. Mandaram eu descer da moto, inclusive, meu neto pequeno de 7 anos apenas teve dificuldade de descer da moto e eles botaram para o menino descer a pulso. Empurraram a criança, me empurraram e empurraram a moto também para dentro da caatinga. Lá eles cometeram o assalto.

Farol: Eles estavam encapuzados?

Ailton: Sim, encapuzados, só dava para ver a brecha do olho aberto mesmo e o resto estava todo coberto.

Farol:  Quando você foi empurrado para dentro do mato já haviam outras pessoas lá?

Ailton: Então, já tinha um rapaz lá dentro deitado no chão, porque eles colocam você deitado no chão. Sentado tem que ser com a cara quase no chão para não olhar para ele e depois foram aparecendo mais gente. Eles abordaram mais pessoas. Inclusive, alguns comentaram que foram 12 pessoas. Mas soube que foram apenas sete pessoas, cinco motos, duas com garupas. Eu também estava com garupa que era o meu neto.

Farol: O que passou na sua cabeça nesse momento?

Ailton: O que passou na minha cabeça é que a polícia devia tomar providência com essa situação. Eu quero chamar as autoridades competentes, o prefeito, o governo do estado, a Polícia Militar, a Polícia Civil, que tome providência. A gente trabalha a semana todinha no meio dessa crise, está difícil a vida e o pouco que a gente arruma o bandido vem e toma com a maior ousadia.

Farol: Levaram o que seu?

Ailton: Levaram uma quantia de R$ 200 e dois celulares.

Farol: Para finalizar, você quer fazer novamente um apelo, porque é uma estrada que você frequenta sempre. Você é um trabalhador e quer segurança?

Ailton: Mais uma vez quero pedir as autoridades que tomem providência, esses bandidos são ousados, ficam com rádio. Alguém fica na pista avisando, passando as informações. Antes de eu chegar na entrada que dá acesso a Tauapiranga tinha um carro celta com as portas abertas, a mais ou menos 100 m do acesso que sai da pista para Tauapiranga.

Eu não desconfiei de nada porque ali têm fazendas e eu pensei que fosse algum fazendeiro, alguém que tivesse olhando gado, por isso não suspeitei de nada. Mas ao sair da pista eles pularam no meio da estrada e fizeram a abordagem de maneira grosseira, xingando de tudo no mundo.

Então, eu peço as autoridades competentes, prefeito, governo, polícia tomem providência com isso, não pode continuar acontecendo. Eu quero parabenizar o me amigo Pessival, lá da minha região que ele falou sobre isso. Porque correu a notícia que era em Tauapiranga, mas não foi em Tauapiranga. E lá não tem ladrão, tem homem trabalhador e de bem.

Então, foi aqui próximo ao aeroporto, na Fazenda Travessa, depois que sai da PE, mais ou menos uns 100 ou 150 m. É tão perto da pista que dava para ver os carros passando na pista. Quero agradecer as autoridades, que eu seu que já posso contar aqui, porque eles vão tomar uma providência para que não continue acontecendo isso com os nossos trabalhadores. Até porque nas campanhas políticas eles prometem segurança, um monte de coisa. Então, cadê a nossa segurança? Nós somos trabalhadores e precisamos andar seguros.

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