Por Jorge Apolônio, policial federal e membro da Academia Serra-talhadense de Letras (ASL)

Publicado às 04h44 desta terça-feira (24)

Com toda essa corrupção praticada pelos políticos brasileiros, é compreensível a revolta de quem quer votar nulo nas próximas eleições. Mas é inteligente votar nulo? Vamos refletir.

Considerando que alguém tem que ser eleito, afinal, a lei determina que tem que haver vereador, prefeito, deputado, governador etc., e considerando que voto nulo NÃO anula eleição, se ninguém votar em ninguém, e só o corrupto votar nele mesmo, ele será eleito para aquele cargo. É a lei, quer o eleitor goste ou não.

Considerando que toda eleição tem muitos corruptos, mas também tem um ou outro honesto e considerando que os corruptos praticam artimanhas ilícitas para vencer mais facilmente uma eleição, se o eleitor deixar de votar no honesto e anular o voto, estará facilitando a vitória do corrupto. Então, o voto nulo, embora supostamente digno (ou indignado) é mais burro do que o corrompido voto comprado. Por quê?

Porque, embora imoral e ilegal, o voto comprado atinge a finalidade que pretende, que é a de somar para quem o comprou e até elegê-lo. Já com o voto nulo, o eleitor, com todo o seu justo moralismo, consegue exatamente o contrário do que pretende. Além de não somar para eleger quem presta, ainda facilita para eleger quem não presta. É aí que os políticos corruptos se dão bem duas vezes: com os vendedores de voto e com os anuladores de voto. É só raciocinar sem revolta. A irritação bloqueia o raciocínio inteligente.

Cerca de 25% dos eleitores pretendem se abster, votar em branco ou anular o voto, transformando-o em inválido, inútil. Isso significa um quarto do eleitorado. Ou seja, de cada quatro eleitores, um vai fazer essa besteira. Já imaginou todo esse eleitorado fazendo o voto útil e votando em candidatos decentes? É tudo o que os corruptos NÃO querem. Esses votos iriam eleger muita gente boa. Mas, do alto de sua compreensível revolta e suposta inteligência, esse eleitor vai dizer:

“Votar em quem?! São todos iguais! Nenhum político presta!”. Pura estupidez. Pode parecer paradoxal, contraditório, mas esse raciocínio funciona em favor dos corruptos, infelizmente. O raciocínio reinante e equivocado passa a ser o seguinte: ora, se todos os políticos são corruptos, não há por que nem como mudar, então, que se reelejam os de sempre ou os mais canalhas.

Reflita! Você que pretende praticar o VOTO NULO tem que praticar mesmo é o VOTO FAXINA, votando nos candidatos decentes, expulsando os corruptos e limpando nosso sistema político. Mas tem que se dar ao trabalho de procurar os honestos. Eles existem. Se puder, faça campanha para eles. Fazer faxina dá trabalho, principalmente neste caso.

Insistindo na sua revolta, há aquele eleitor que diz: “Ah, mesmo sendo honestos, quando chegam lá, eles mudam”. É possível, o sistema é bruto e corrompe os de moral frágil, mas, se isso de fato acontecer, na eleição seguinte, o eleitor consciente se empenhe em escolher outro honesto menos corruptível ou incorruptível. E assim vai depurando o sistema.

O que o eleitor não deve fazer é persistir no erro de se abster, votar nulo ou em branco, fazendo ingenuamente o jogo do político corrupto, e ainda achar que está fazendo algo inteligente. Não faça isso. Os vendedores de votos e os eleitores enganados já contribuem para o estrago enorme na nossa democracia. Faça você a diferença positiva.

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