Por Paulo  César Gomes, professor, especialista em História Geral e bacharelando em Direito 

“João amava Teresa que amava Raimundo, que amava Maria que amava Joaquim, que amava Lili que não amava ninguém”. Esse trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade bem que poderia ilustrar o cenário político da cidade provinciana, onde alguns antigos adversários vivem paixões avassaladoras, em quanto os antigos amores vivem raivosos e enciumados. As acusações de traição partem de todos os lados, cada parte procurando aparecer para a população como vítima.

O povo confuso procura entender como em tão pouco tempo os políticos mudam de discursos, de aliados, de cores… Como é possível explicar que há pouco mais de um ano um candidato era apoiado de forma “amorosa” e “carinhosa” por um líder político e hoje eles são verdadeiros inimigos. Na cidade provinciana o que parecia impossível torna-se realidade, quando alguém em sã consciência imaginaria que o homem que colocou “o avião para dar macha ré” ser tornaria passageiro do mesmo! Talvez Freud explique tamanha mutação política.

Na Inglaterra alguns fatos seria destaque nos tablóides (jornais sensacionalistas): “Em cidade do interior, antigos adversários tornam-se companheiros de lutas!” ou quem sabe publicariam: “Político propõem casamento a estrela da música como prova de rompimento com aliado!”. A melhor seria: “Político tem crise de amnésia e esquece que já lançou candidato a prefeito”. São muitas as contradições protagonizadas pelos de nossos políticos, verdadeira aberrações, basta ouvir as rádios locais ou acessar algum blog. Até parece que os locutores e blogueiros são “psicólogos” e as rádios e os blogs são “divãs”, onde eles procuram expor as suas mágoas e os seus desencantos, lágrimas de crocodilo são derramadas e a alegria pelo aconchego dado pelo novo amor é anunciada.

Nesse jogo de amor e traição, a cidade província é quem sai perdendo. Em quanto os nossos politiqueiros brigam, o município perde o IML, não consegue a instalação de um entreposto da Transnordestina (Estação de Trem), a Faculdade de Medicina não sai do papel, a obra do Mutirão não acaba. É uma pena que uma cidade com um potencial enorme, habitada por uma população criativa e batalhadora, perca obras importantes por que o ego e a vaidade dos nossos políticos são maiores que a cidade.

Em função de projetos políticos e de interesses pessoais, o povo de Serra Talhada não vai ficar a ver navios, vai ficar a ver trens… Coisa que só acontece na Cidade Provinciana!