Som da Liberdade: Como filme polêmico virou hit nos EUA

Do G1 / Foto: Divulgação

“Som da liberdade”, pequeno filme que estreou no Brasil na última quinta-feira (21), se tornou um fenômeno controverso nas bilheterias americanas.

Com orçamento estimado em US$ 14,5 milhões, a produção arrecadou mais de US$ 180 milhões nos cinemas dos Estados Unidos, chegando a superar blockbusters como “Indiana Jones e a Relíquia do Destino” e “‘Missão: Impossível – Acerto de contas Parte 1” no país.

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Baseado na história real de um ex-agente do governo que resgata crianças das guerras de criminosos colombianos que operam uma rede de exploração, o filme caiu nas graças da direita e é alvo de críticas da esquerda americanas.

De acordo com os conservadores, “Som do silêncio” se dirige a um setor trabalhador americano que tem sido ignorado pelas elites de Hollywood.

Já os liberais o classificam como uma ferramenta de recrutamento da extrema direita, que promove a teoria conspiratória QAnon sobre uma seita de pedófilos de Hollywood e o Partido Democrata que supostamente sequestra crianças e extrai o sangue delas.

Segundo a revista “Time”, a distribuidora do filme, Angel Studios, nega que “Som do silêncio” seja político ou tenha ligação com o grupo conspiratório. “Qualquer um que tenha visto o filme sabe que não é sobre teorias conspiratórias”, afirmou o presidente-executivo, Neal Harmon.

Filmado em 2018 com financiamento de investidores mexicanos, o filme conta a história do ex-agente especial de Segurança Nacional americano Tim Ballard, que, em 2013, comandou o grupo “Operation Underground Railroad” para resgatar crianças de traficantes de uma rede de exploração sexual.

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Interpretado por Jim Caviezel (“A paixão de Cristo”), ator ligado ao movimento conspiratório, Ballard é acusado de assédio sexual durante as operações em que atuava infiltrado. De acordo com a revista “Vice”, sete mulheres dizem que ele as coagia a dormirem na mesma cama ou a tomarem banho com ele para enganar os criminosos.

Ballard nega as acusações. Ele se afastou do grupo depois de investigações internas.

Doações de ingressos e Trump

A distribuidora adotou um sistema de doações de ingressos em seu esforço para popularizar o filme. Qualquer um pode comprar bilhetes pelo site e disponibilizar para outros interessados.

Vice-presidente do Angel Studios, Jared Geesey, afirmou à revista “Hollywood Reporter” que a porcentagem da arrecadação vinda de doações não é grande, mas, na época do lançamento nos EUA, diversos usuários em redes sociais compartilhavam imagens de sessões vazias do filme.

O filme se converteu em uma causa notável para figuras da direita norte-americana, desde o intelectual canadense Jordan Peterson ao comentarista político e locutor Ben Shapiro, passando pelo ex-presidente Donald Trump, que, exibiu o filme em seu clube de golfe.

Originalmente programado para ser distribuído pelos estúdios 20th Century Fox, o acordo foi cancelado quando a Disney comprou a empresa em 2019. Os produtores puderam comprar novamente os direitos, adquiridos pelo Angel Studios, especializado em produções pequenas.