
CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS
Meu nome é Leandro Alberto Silva, sou coroinha do bispo Dom Limacedo na Concatedral Nossa Senhora da Penha, e venho, por meio desta carta aberta, manifestar publicamente minha posição a respeito das recentes falas proferidas por ele durante a celebração do Natal.
Dom Limacedo possui muitos anos de caminhada na Igreja. A idade que tenho corresponde apenas a uma parte de sua vasta experiência, conhecimento e maturidade. Por isso, causa-me profunda estranheza que um homem tão preparado decida abordar política em uma missa de Natal.
Esse equívoco me fez refletir sobre sua autoridade espiritual e também me questionar enquanto servo da Igreja. Não deveríamos nós, católicos, viver sob a lei de Deus antes das leis dos homens? A política pode ser importante para a organização humana, mas não é fundamento para a salvação.
Não me oponho a que cada fiel tenha sua posição política, nem a diálogos sobre o tema; porém, afirmo com clareza: a Igreja não é palanque. O espaço litúrgico não deve ser utilizado para a promoção de ideologias de qualquer tipo. A casa de Deus deve ser respeitada.
Sou aquele que lava as mãos do bispo antes da consagração da Eucaristia. Meu propósito, como coroinha, é auxiliar na propagação da Palavra de Deus — e não da palavra dos homens. Conversamos diversas vezes e tivemos bons diálogos, mas, neste caso, confesso minha profunda decepção.
Recentemente, o próprio Papa recordou que sacerdotes não devem fazer da Igreja um ambiente de militância política. Além disso, o Código de Direito Canônico, promulgado por João Paulo II, orienta no Canon 287, §2:
“Não tomem parte ativa em partidos políticos ou na direção de associações sindicais, a não ser que, a juízo da autoridade eclesiástica competente, o exija a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum”.
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É por isso que reforço: a Igreja é lugar de oração, comunhão, reconciliação e encontro com Deus — não de promoção política. Conclamo meus irmãos católicos a serem vigilantes, pois nem toda palavra proferida por um sacerdote representa a vontade divina.
Me posiciono firmemente contra esse tipo de postura. Mesmo diante de ataques e ameaças que venho sofrendo por expressar minha opinião, não recuarei nem abaixarei a cabeça ao defender aquilo que acredito ser fiel ao Evangelho e ao respeito devido ao altar.
Em nome da unidade da Igreja, peço perdão a Deus por este episódio que causou confusão em Sua casa e peço perdão aos fiéis que foram à missa para celebrar o Natal e acabaram ouvindo discursos que não deveriam ocupar aquele espaço. O Natal é a celebração do nascimento de nosso Salvador, Jesus Cristo, que veio ao mundo para nossa redenção.
É o dia em que recordamos o Verbo encarnado, o cumprimento da promessa anunciada pelo anjo; o dia em que reis ofereceram ouro, incenso e mirra, reconhecendo Sua majestade. Que jamais esqueçamos que Ele nasceu para curar, ensinar, salvar e entregar a própria vida por nós.
Não sou bispo, mas se pudesse dirigir algumas palavras a vocês neste dia tão sagrado, seriam estas — acompanhadas de uma sincera reflexão, em fraternidade, com meus irmãos e irmãs na fé.
Atenciosamente,
Leandro Alberto Silva
Coroinha da Concatedral Nossa Senhora da Penha
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