Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, é preso pela PF
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Com informações do g1

A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (2), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, o ex-assessor da Presidência Filipe Martins, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. A prisão ocorreu na residência do investigado e foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Após ser levado à sede da PF, ele deve ser transferido para uma unidade prisional.

A ordem judicial aponta descumprimento das medidas impostas no regime de prisão domiciliar, em vigor desde 27 de dezembro, quando Martins passou a cumprir cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de utilizar redes sociais. Segundo o STF, houve violação dessa restrição após indícios de acesso ao LinkedIn.

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Em decisão recente, Moraes registrou que, em 29/12/2025, foi juntada aos autos a informação de que o réu teria utilizado a plataforma para buscar perfis de terceiros. Na avaliação do ministro, a própria defesa reconheceu a infração.

“Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social, não havendo qualquer pertinência da alegação defensiva no sentido de que as redes sociais foram utilizadas para ‘preservar, organizar e auditar elementos informativos pretéritos relevantes ao exercício da ampla defesa’. O acusado demonstra total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas, em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico”, afirmou.

A defesa de Filipe Martins, por sua vez, contesta a decisão. Ao g1, o advogado Jeffrey Chiquini afirmou que o ex-assessor vinha cumprindo todas as determinações judiciais e que a equipe jurídica vai avaliar as providências cabíveis. Segundo ele, Martins “está há mais de 600 dias cumprindo todas as determinações judiciais. Nunca recebeu nenhuma advertência, nunca foi admoestado por ter descumprido qualquer ordem judicial, e hoje foi punido novamente, sem que tenha feito nada de errado.”

Chiquini também criticou a atuação do STF e classificou a prisão como perseguição política. “Em verdade, hoje o STF coloca em prática aquilo que já queria desde 2019, quando o Filipe Martins foi selecionado como líder do gabinete do ódio. Hoje, Alexandre de Moraes coloca em prática aquilo que desde sempre queria: prender Filipe Martins. Não é uma medida cautelar, é uma medida de vingança. Trata-se evidentemente de início de cumprimento da pena. Vejam que não importa provar ser inocente, não importa cumprir as cautelares de forma exemplar. O ministro Alexandre de Moraes decide como ele quer, da forma como ele quer, e a hora que ele quer.”

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Condenação e medidas cautelares

Filipe Martins foi condenado a 21 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, em julgamento realizado em 16/12/2025, pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, tentativa de deposição do governo legitimamente constituído, dano ao patrimônio público, organização criminosa e destruição de bem especialmente protegido por lei. Ele integrava o chamado “núcleo 2” da trama golpista, ao lado de outros cinco réus também condenados.

Após a prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques no Paraguai, em 26/12/2025, Alexandre de Moraes determinou a prisão domiciliar de Martins e de outros condenados, além de impor medidas como a entrega de passaportes, a proibição de contato com investigados, a suspensão de registros de armas e a limitação de visitas.