
Autoridades sanitárias da Índia confirmaram a ocorrência de um novo surto do vírus Nipah (NiV), considerado um dos patógenos mais letais já identificados. O episódio reacendeu o alerta da comunidade sanitária internacional, já que o micro-organismo integra a lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de agentes com potencial pandêmico, sobretudo pela alta taxa de letalidade e pela ausência de vacina ou tratamento específico. Apesar disso, especialistas avaliam que, neste momento, o risco de disseminação em larga escala permanece baixo.
Os casos foram registrados em diferentes áreas do país, com pacientes isolados e centenas de pessoas sob monitoramento por terem tido contato direto com os infectados. Em resposta, hospitais indianos acionaram protocolos de emergência, enquanto equipes de vigilância epidemiológica intensificaram o rastreamento de contatos para conter a propagação do vírus.
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Confirmação oficial
O surto foi oficialmente anunciado por autoridades de saúde da Bengala Ocidental e pelo governo central da Índia. Em pronunciamentos à imprensa, representantes informaram que os casos foram identificados em um hospital de Calcutá, incluindo episódios de transmissão entre profissionais de saúde. Segundo eles, a situação segue sob acompanhamento rigoroso das equipes sanitárias.
“Atualmente, não existe vacina disponível para este vírus, e os anticorpos devem ser administrados assim que alguém for diagnosticado com infecção pelo vírus Nipah”, disse o Narendra Arora, presidente do All India Institute Of Medical Science de Bilaspur, na Índia, em entrevista à agência de notícias ANI.
De acordo com o comunicado oficial, ao menos cinco casos já foram confirmados, o que levou à adoção imediata de medidas de isolamento, quarentena e vigilância domiciliar. Equipes especializadas também foram mobilizadas para apoiar as investigações e reforçar o controle de infecções nas unidades de saúde.
O que é o vírus Nipah
Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, durante um surto envolvendo criadores de porcos, o vírus Nipah pertence ao grupo dos henipavírus. Seu reservatório natural são os morcegos frugívoros, comuns no sul e sudeste da Ásia. Esses animais podem carregar o vírus sem apresentar sintomas, transmitindo-o por meio de frutas, líquidos contaminados ou contato direto com outros animais e humanos.
Em seres humanos, a infecção pode variar de quadros leves a formas extremamente graves, que atingem o sistema respiratório e o cérebro. Em muitos pacientes, a doença evolui rapidamente para encefalite, provocando inflamação cerebral, convulsões, perda de consciência e coma em poucas horas.
Formas de transmissão
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções de morcegos, consumo de alimentos contaminados — como frutas mordidas ou seivas coletadas em áreas frequentadas por esses animais — e por meio de hospedeiros intermediários, como porcos. Em surtos mais recentes, porém, a transmissão entre pessoas passou a ter maior relevância, sobretudo em ambientes hospitalares e no convívio familiar.
O contágio humano acontece através do contato próximo com fluidos corporais, como saliva, secreções respiratórias e sangue. Por isso, profissionais de saúde figuram entre os grupos mais vulneráveis quando não há uso adequado de equipamentos de proteção. O controle do surto depende, principalmente, do isolamento rápido dos casos e do rastreamento eficiente dos contatos.
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Sintomas e evolução
Os primeiros sinais costumam ser semelhantes aos de uma gripe, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, náusea e fadiga. Em parte dos pacientes, o quadro se agrava rapidamente, com dificuldade respiratória e manifestações neurológicas, como confusão mental, convulsões e perda de consciência.
O período de incubação varia, em geral, de 4 a 14 dias, embora existam registros mais longos. Em casos graves, a progressão para coma pode ocorrer em um ou dois dias após o surgimento dos sintomas neurológicos, exigindo atendimento médico imediato.
Por que o vírus preocupa
O principal fator de alerta é a letalidade elevada, que em surtos anteriores variou entre 40% e 75%. Além disso, não há vacina aprovada nem medicamentos antivirais específicos contra o Nipah. O tratamento disponível é apenas de suporte, focado no controle dos sintomas e das complicações.
A combinação de alta mortalidade, evolução rápida e ausência de terapias específicas mantém o vírus sob vigilância constante. Cada novo surto reforça o temor de que o Nipah possa, no futuro, adquirir maior capacidade de transmissão sustentada entre humanos.