Câmara da Argentina aprova redução da maioridade penal para 14 anos
Foto: Kindel Media/Unsplash

Com informações da CNN Brasil

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, nesta quinta-feira (12), o projeto que diminui a idade penal de 16 para 14 anos. A proposta, que recebeu 149 votos favoráveis e 100 contrários, ainda precisa passar pela análise do Senado para entrar em vigor.

A medida, defendida pelo governo do presidente Javier Milei, estabelece que adolescentes a partir de 14 anos poderão ser julgados e cumprir medidas socioeducativas com privação de liberdade, seja em regime domiciliar, em instituições abertas ou especializadas, ou ainda em alas separadas de unidades prisionais.

Continua depois da publicidade

Receba as manchetes do Farol primeiro no canal do WhatsApp (faça parte)

O texto também prevê alternativas para condenações de até três anos, permitindo a substituição da prisão por sanções como proibição de contato com a vítima e familiares, restrição de circulação em determinados locais, impedimento de deixar o país, prestação de serviços comunitários, monitoramento eletrônico e reparação integral dos danos.

Além das punições, o projeto determina a adoção de medidas complementares voltadas à reinserção social, como acompanhamento por equipe multidisciplinar, participação em programas educacionais para conclusão dos estudos obrigatórios, capacitação profissional e formação cidadã.

Caso a proposta seja confirmada pelo Senado, a pena máxima para adolescentes será de 15 anos, com possibilidade de liberdade condicional após o cumprimento de dois terços da sentença.

Foto: Freepik

O governo celebrou a aprovação na Câmara. Em comunicado, a Casa Rosada afirmou: “Um cidadão de 14 anos que participa de um crime compreende a gravidade dos seus atos. Afirmar o contrário é subestimar a sociedade e abandonar as vítimas”.

Durante a votação, familiares de vítimas de crimes cometidos por menores se reuniram em frente ao Congresso para defender a mudança na legislação.

Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)

Atualmente, menores de 16 anos não podem ser julgados criminalmente na Argentina, embora a Justiça possa determinar internação em instituições especializadas. O tempo de permanência, porém, não é fixado em lei. “Cada juiz determina, de forma discricionária, o tempo e os fundamentos que considerar necessários para deixar um menor preso”, explica o advogado Julian Axat, ex-defensor penal juvenil, destacando que as decisões ocorrem dentro de um processo tutelar, e não de um julgamento penal tradicional.

Segundo Axat, mesmo sem a redução da maioridade penal, há registros de adolescentes menores de 16 anos envolvidos em homicídios que permaneceram internados por longos períodos. Ele também criticou o limite máximo de 15 anos previsto no projeto, classificando-o como “excessiva”. “A razão deixa de ser a ressocialização e responsabilização, como diz a Convenção sobre os Direitos da Criança, e passa a ser simplesmente castigo”, conclui.