CPMI do INSS vota quebra de sigilo de Lulinha e de ex-sócio de Vorcaro
Alfredo Gaspar, autor do pedido de quebra de sigilos de Lulinha, e o presidente da CPMI, senador Carlos Viana – Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Do Correio Braziliense

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deve votar, nesta quinta-feira (26/2), requerimentos que pedem a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de um ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. A pauta foi definida pelo presidente do colegiado, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e inclui ainda a realização de depoimentos ao longo do dia.

Além da análise dos requerimentos, a comissão tem previstas as oitivas do deputado estadual Edson Araújo, do empresário Paulo Camisotti e do advogado Cecílio Galvão, que devem prestar esclarecimentos aos parlamentares sobre suas relações com entidades e operações investigadas pela CPMI.

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Ao todo, 87 requerimentos constam na pauta da reunião. Parte deles trata de desdobramentos do chamado caso Banco Master, com pedidos que envolvem ex-sócios de Daniel Vorcaro e dirigentes de instituições financeiras suspeitas de participação em esquemas relacionados a descontos indevidos em benefícios previdenciários.

O pedido de quebra de sigilo de Lulinha foi apresentado pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Segundo ele, a solicitação se baseia na suspeita de que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria atuado como “sócio oculto” de Antônio Camilo, conhecido como “careca do INSS”, personagem central das investigações.

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha – Foto: Reprodução

Gaspar sustenta que a apuração se justifica a partir de mensagens interceptadas nas quais Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destino de um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger, afirma que o valor seria destinado ao “filho do rapaz”. O relator avalia que o conteúdo reforça a necessidade de aprofundar a investigação.

Outros requerimentos miram Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, apontado por parlamentares como figura sensível por suas ligações com quadros do PT na Bahia. Também está prevista a convocação de dirigentes de bancos para explicar descontos aplicados a aposentados por meio de crédito consignado, entre eles Leila Pereira, presidente do Palmeiras e dirigente do Banco Crefisa.

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O líder do governo na CPMI, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), criticou a composição da pauta e afirmou que houve blindagem de nomes ligados à oposição. Ele citou a ausência do requerimento para convocar Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e doador de campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

A CPMI também previa ouvir Vorcaro na segunda-feira (23/2), mas a oitiva foi cancelada. Em substituição, depôs a empresária Ingrid Pikinskeni, esposa de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador financeiro da Conafer. A sessão acabou interrompida após a depoente passar mal.