Mulher denuncia golpe após vender carro e perder R$ 60 mil em ST
Foto: Arquivo/Farol de Notícias

Marlene da Rocha procurou a redação do Farol de Notícias (4) para relatar um prejuízo de R$ 60 mil após a venda de um veículo e uma sequência de transferências que, segundo ela, foram realizadas sob orientação de uma pessoa que se apresentou como funcionário do banco Santander Serra Talhada.

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De acordo com o relato, no dia 10 de fevereiro ela vendeu um Honda City 2019 por R$ 62.500. Do total, R$ 60 mil foram depositados via PIX em sua conta do Santander, enquanto R$ 2.500 foram pagos em espécie. Parte do valor foi usado para quitar algumas despesas, e o restante permaneceu na conta porque ela planejava adquirir outro veículo. A venda do carro era um assunto que já vinha tratando em exclusividade com uma funcionária da agência, nem seus familiares teriam conhecimento.

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No dia seguinte à venda, começaram as ligações. A vítima conta que um homem se apresentou inicialmente como funcionário do Nubank, e ele teria comentado com ela sobre a venda do carro. Em seguida a questionou sobre um aumento no limite de crédito do seu cartão. Nesse momento, o suposto funcionário do Nubank teria passado a ligação para um outro homem que se identificou como gerente-geral do Santander.

Esse funcionário então informou a Marlene que para aumentar o limite do cartão, seria necessário melhorar o raking da conta, e para isso precisaria ser feito algumas movimentações via PIX. As transações foram realizadas ao longo de horas de conversa por telefone, com valores variando de R$ 2 até R$ 10 mil, e para contas em outros bancos da própria Marlene.

“O que mais me chamou a atenção no início, é que ele falou a última coisa que eu conversei só com ela (funcionária da agência), eu não conversei com mais ninguém. Nem meus irmãos sabiam que eu queria vender o carro”, explicou. Porém, posteriormente ela percebeu que o dinheiro estava sumindo, até chegar ao ponto de terem desaparecido aproximadamente R$ 60 mil.

Marlene explicou que desconfiou da situação e procurou a agência do banco na sexta-feira. No entanto, segundo ela, a funcionária do banco que tinha conhecimento da venda do carro, apenas disse a ela: “Vá para casa, não se preocupe que isso não vai dar em nada. Você não vai receber nem um centavo, nem espere, não tem justiça que faça devolver esse dinheiro”.

Outra situação levantada por Marlene envolve a emissão de um novo cartão de crédito solicitada na agência. Segundo ela, após as movimentações suspeitas, o banco optou por bloquear o cartão que ela utilizava. Como havia perdido todo o dinheiro depositado na conta, o crédito passou a ser sua única alternativa para custear despesas básicas, o que a levou a procurar a agência para pedir o desbloqueio.

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De acordo com o relato, a funcionária que costumava atendê-la teria colocado Marlene em contato telefônico com outra colaboradora do Santander. Durante a ligação, essa segunda funcionária informou que havia solicitado um novo cartão de crédito em nome dela e mencionou os quatro últimos dígitos do cartão, informação que, apenas Marlene poderia ter conhecimento destes números.

Mais tarde, no mesmo dia, o homem que anteriormente havia se apresentado como gerente-geral do Santander e que teria orientado as transferências via PIX durante o suposto processo de aumento de limite, voltou a entrar em contato. Na ligação, ele mencionou o novo cartão de crédito e citou os mesmos quatro dígitos que somente Marlene deveria saber.

Após o ocorrido, Marlene contou que questionou a funcionária da agência sobre o suposto vazamento de informações: Eu fui lá na agência de novo e disse a ela, “olha que interessante, tudo que eu converso com você aqui sai”.

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Frustração com a Polícia Civil

Fotos: Vinícius Campos / Farol de Notícias

Marlene também relatou frustração com o atendimento recebido na delegacia após registrar o boletim de ocorrência sobre o caso. Segundo ela, ao procurar a Polícia Civil para formalizar a denúncia, buscou informações sobre quais seriam os próximos passos da investigação.

“Fui na delegacia, fiz o B.O. e perguntei: o que acontece agora? Como é que funciona? A resposta que me deram foi: ‘Olha, o delegado tem que fazer a oitiva, para que os agentes façam as investigações’”, contou.

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De acordo com Marlene, ao questionar quando esse procedimento ocorreria, a resposta recebida foi desanimadora. “Perguntei quando isso aconteceria e me disseram: ‘Ah, minha senhora! Entregue nas mãos de Deus, porque a demanda é muito alta, e não é assim que a coisa funciona’”, relatou.

Marlene concluiu a conversa com a reportagem afirmando que pretende continuar buscando providências para tentar recuperar o valor perdido. “Uma coisa é certa, eu quero a devolução desse dinheiro. Eu quero que a polícia e o delegado me ouçam. É uma obrigação, é um direito que eu tenho. Isso não é resposta para a polícia dar para uma pessoa que vai lá pedir segurança”, desabafou.

O OUTRO LADO

O Farol entrou em contato com o Banco Santander Serra Talhada, que emitiu uma nota oficial com a versão da instituição sobre a denúncia de Marlene da Rocha. De acordo com o banco, trata-se de um golpe causado por terceiros e os valores foram transferidos para contas de bancos digitais de titularidade da própria cliente. Confira:

“O Santander esclarece que se trata de golpe causado única e exclusivamente por terceiros e que os valores foram transferidos do Santander para contas de bancos digitais de titularidade da própria cliente. O Banco ressalta, ainda, que nunca entra em contato com cliente para solicitar senhas e informações confidenciais e repudia qualquer afirmação ou insinuação de que houve vazamento de dados. Em caso de suspeita de golpe, é fundamental que o cliente comunique o fato imediatamente à Central de Atendimento, SAC ou Ouvidoria e relate o ocorrido”.

Foto: Arquivo/Farol de Notícias