
Por Paulo César Gomes, escritor, professor e colunista do Farol de Notícias
Apesar da prioridade oficial do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco ser a reeleição do senador Humberto Costa, o partido vive um momento de forte fragmentação interna. Lideranças petistas no estado têm se dividido em pelo menos três linhas distintas de posicionamento político, revelando uma disputa de narrativas que tende a marcar o cenário eleitoral de 2026.
A primeira corrente defende uma aproximação com o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Esse grupo conta com nomes como a senadora Teresa Leitão, que, em declarações a blogs e veículos locais ao longo de 2025 e início de 2026, tem sinalizado afinidade política com o projeto liderado pelo socialista. O próprio Humberto Costa também tem adotado um discurso que não fecha portas para essa aliança, priorizando a construção de uma frente ampla.
Em contraposição, uma segunda ala do partido defende abertamente o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra. Entre os principais expoentes dessa corrente estão o deputado estadual João Paulo, histórico líder petista, e o prefeito de Tabira, Flávio Marques. Ambos têm se posicionado publicamente — em entrevistas à imprensa pernambucana, como a Folha de Pernambuco e blogs políticos — como defensores da continuidade do atual governo estadual.
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Esse grupo também conta com o apoio de vereadores do PT em Recife e em cidades do interior, que, embora nem sempre de forma institucionalizada, têm manifestado simpatia pela gestão estadual. A estratégia, segundo aliados, seria manter espaços políticos e administrativos conquistados nos últimos anos.
Uma terceira via, por sua vez, propõe o lançamento de uma candidatura própria do PT ao Governo de Pernambuco. Essa posição é defendida pelo ex-deputado federal Fernando Ferro e por correntes internas históricas do partido. Para esse segmento, nem João Campos nem Raquel Lyra representam integralmente os ideais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo ambos vistos como alternativas que limitariam o crescimento político do PT no estado.
Segundo Humberto Costa, e o deputado Federal Carlos Veras, presidente estadual da legenda, a definição oficial sobre os rumos do partido deve ocorrer no próximo dia 28, após reunião do diretório estadual. Até lá, o cenário segue marcado por intensas disputas internas.
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Conflitos públicos e disputa de narrativas
A divergência entre as correntes já extrapola os bastidores e tem se manifestado em eventos públicos. Em janeiro, durante a entrega das casas do Residencial Vanete Almeida, apoiadores e cargos comissionados da gestão Márcia Conrado — protagonizaram vaias à governadora Raquel Lyra, que repercutiram negativamente para a prefeita e o seu esposo, Breno Araújo, pré-candidato a deputado estadual.
Por outro lado, em Tabira, município administrado pelo também petista, Flávio Marques, o cenário foi oposto. Durante a inauguração da estrada que liga a sede do município ao distrito de Água Branca, a governadora foi recebida com muito entusiasmo, desfilando em carro aberto sob aplausos de militantes locais. Nem mesmo lideranças como os deputados Doriel Barros e Carlos Veras contiveram o tom elogioso ao governo estadual, acompanhando o prefeito nos gestos de reconhecimento à gestão raquel Lyra.
Tendência histórica de divisão
Mesmo com a expectativa de uma decisão formal sobre alianças, o cenário aponta para mais um episódio de divisão interna no PT pernambucano. A convivência entre diferentes estratégias eleitorais — ora pragmáticas, ora ideológicas — tem se tornado recorrente na trajetória recente do partido no estado.
Independentemente do desfecho, a disputa atual reforça uma característica já consolidada: em Pernambuco, o PT entra em mais uma eleição marcada por suas próprias divergências internas, o que pode impactar diretamente sua capacidade de articulação, protagonismo político no cenário estadual e no resultado eleitoral.
2 comentários em PT em Pernambuco expõe divisões internas sobre alianças para 2026