
Com o aumento das chuvas, cresce também a incidência da chamada “virose da mosca”, uma gastroenterite aguda que provoca sintomas como diarreia, náuseas e vômitos. A doença está relacionada à proliferação de moscas, que podem contaminar alimentos e água ao pousarem em locais com lixo ou fezes. Ao ingerir esses alimentos contaminados, a pessoa pode desenvolver o quadro infeccioso e diante deste cenário, muitas pessoas têm buscado atendimento médico em Serra Talhada.
Na manhã desta segunda-feira (13), a reportagem do Farol de Notícias esteve no Hospital Regional Professor Agamenon Magalhães (Hospam) e conversou com a médica pediatra Dra. Mariana Melo. De acordo com a médica, crianças exigem atenção redobrada, tendo em vista que podem evoluir mais rapidamente para um quadro de desidratação. Ela orienta que casos leves podem ser tratados em casa com hidratação e uso de sais de reidratação oral, no entanto, sintomas como vômitos persistentes, diarreia intensa, sonolência e recusa alimentar indicam a necessidade de atendimento médico imediato.
“A virose da mosca, na verdade, ela se enquadra dentro do que a gente chama de gastroenterite aguda, que são sintomas que, após uma virose, seja causada por vírus ou por bactéria, também pode causar sintomas como diarreia, náusea, vômitos. E aí, por que denominou-se virose da mosca? Porque, nesse período chuvoso, a gente tem uma reprodução até do próprio ciclo reprodutivo da mosca maior. Então, primeiro ela se contamina, seja em fezes, lixos, água contaminada e ao pousar em alimentos, acaba contaminando alimentos e água. Ao fazer a ingestão desse alimento e dessa água, vai trazer sintomas como diarreia, náusea, vômitos, que pode levar até a desidratação, que, no público infantil, desidratação é algo grave”, explicou a médica, continuando:
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“O atendimento pode ser feito tanto em posto de saúde, quanto na emergência. O que é que vai lhe trazer até a emergência? No caso do público infantil, aquela diarreia persistente, vômitos um seguido atrás do outro, porque a criança, é um público que pode evoluir para a desidratação mais rápido que o adulto. E desidratação na criança é grave, então, deve buscar atendimento na emergência. Mas, em um quadro inicial, em que não há tanto vômito, não há tanto diarreia, está conseguindo fazer a ingesta de líquido adequado, conseguindo se alimentar adequadamente, dá para fazer uma avaliação médica no postinho de saúde e fazer o tratamento em casa, que a base do tratamento, tanto no público infantil quanto no público adulto, é repor o líquido que a gente está perdendo, tanto através de água, como os sais prontos que tem em farmácia, que são os sais de reidratação oral”, complementou a pediatra, enfatizando:
“Isso vai depender da gravidade. Porque tem crianças que, por exemplo, tem um episódio ou outro no dia e ali dá para controlar em casa. Até porque a gente deve lembrar que estamos em período de sazonalidade. Então, o máximo que a gente puder evitar trazer as crianças à urgência seria o ideal, por causa da síndrome respiratória que está tendo. Mas, se for um quadro que, no mesmo dia, já evolui com gravidade importante, uma persistência importante dos sintomas, o ideal é trazer no mesmo dia. Caso dê para controlar em casa com hidratação, alimentação e ver que a criança está ativa, que não está aquela criança sonolenta, mas quietinha, dá para manter o tratamento em casa”
Ainda de acordo com Mariana, a principal forma de prevenção é a higiene adequada: lavar bem os alimentos, evitar deixá-los expostos, higienizar as mãos com frequência e manter a limpeza do ambiente. Por fim, a profissional também alerta para a importância do saneamento básico, já que locais com acúmulo de lixo favorecem a proliferação de insetos e aumentam o risco de contaminação.
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“O principal ponto-chave da prevenção é a higiene adequada, tanto dos alimentos, previamente, eu sempre falo para as mães que a higiene do alimento infantil, ela deve sim utilizar hipoclorito de sódio ou água sanitária, desde que no rótulo tenha que é adequado para a higiene de alimento. Aquele alimento que foi preparado para consumo, seja de consumo imediato, porque se ficar exposto, a chance da mosca ali pousar vai ser maior. Higiene adequada das mãos, verificar a higiene da casa e também dos arredores, porque às vezes a nossa casa está bem higienizada, mas ao redor sempre tem falta de saneamento básico, tem lixões, tem água contaminada. Então, se for o caso de ser algo externo, acionar o serviço público para que essa situação seja resolvida também.”, pontuou Mariana, continuando:
“A questão dos sinais de alerta, para diferenciar quando é um caso de emergência e um caso de postinho, porque a gente está tendo uma alta demanda, de fato, dessa virose, porque, querendo ou não, é um diagnóstico que assusta as mães e nem sempre tem a necessidade de vir para a urgência, o que acaba sobrecarregando o serviço. Então, assim, saber diferenciar os sinais de alarme, que é sonolência, desidratação, recusa alimentar aquele vômito que você medicou e persiste, e a criança não quer comer, aí sim é indicativo de vir para a urgência. Se não evitar, até porque às vezes é algo controlável em casa, vem para um hospital que está super lotado e acaba contraindo outro tipo de doença”, finalizou Melo.