
Foto: Rede Sociais
O historiador, professor, influenciador e também pré-candidato a deputado federal pelo Psol em Pernambuco, Jones Manoel, foi o convidado do programa Falando Francamente na TV Farol no Youtube com Giovanni Sá desta terça-feira (2) e conversou sobre projetos para o estado e o Brasil.
Jones tem conseguido a façanha de arregimentar jovens e adultos através das redes sociais para o debate crítico sobre as estruturas de poder que subvertem a lógica do trabalho, retomando o debate sobre explorados (classe trabalhadora) e exploradores (classe burguesa), provando que essa discussão não morreu e nem envelheceu.
Jones Manoel estará hoje em Serra Talhada para debater com a população em um encontro no Museu do Cangaço, no bairro São Cristóvão, a partir das 19h. Como um bom docente, de forma didática, mas sem simplificar demais, Jones explicou, durante a entrevista, que esse embate tem efeitos nos dias de hoje, por exemplo, no problema secular do abastecimento de água aqui no Sertão.
“Nada mais atual do que o debate comunista e a proposta da Revolução Brasileira. Pelo seu tempo de estrada [Giovanni Sá], você vai lembrar que, desde o seu período de menino, se fala, por exemplo, sobre os problemas de abastecimento da água em Serra Talhada, né? Estamos falando de 30, 40, 50 anos, inclusive no começo do século XX, período das secas históricas, na época do cangaço. Então, se fala do problema de falta de água em Serra Talhada”.
“E por que esse problema não é resolvido? Veja, vamos pegar o exemplo do governo atual de Pernambuco. A governadora Raquel Lyra se elegeu prometendo que ia tomar de conta do problema da água e nunca disse como, nunca detalhou as propostas, qual era a proposta dela para enfrentar a situação em que mais de 2 milhões de pernambucanos e pernambucanas não têm acesso regular à água potável. Então, a governadora que veio do Agreste, que prometeu que faria um governo diferente, que não iria só olhar para Recife, para a Região Metropolitana, que o Agreste, que o Sertão, que a Zona da Mata seriam prioridade. Na prática, nada mudou. Continua sendo um governo que centra o gasto público, o investimento público e a atenção em Recife.”
PRIVATIZAÇÃO DA COMPESA
Jones não deixou esquecer que a Compesa foi privatizada pela governadora Raquel Lyra e que isso vai acarretar no aumento do valor da conta de água para os pernambucanos.
“[Raquel] Está no final do governo. E até agora, a promessa, finalmente, no final de 2025, é ter uma obra que vai resolver os problemas de crise hídrica em Serra Talhada, só que nesse meio tempo a Compesa foi privatizada. E aí, com a Compesa privatizada, sabe qual foi a safadeza que fizeram? Fizeram assim: a parte de construção de barragem, construção de adutora e captação de água vai continuar pública. Mas a parte de distribuição de água e de saneamento básico vai para as mãos de uma empresa privada do Canadá.”
“Então, preste atenção: o povo de Serra Talhada, por exemplo, ao invés da prioridade do governo do Estado ser um investimento estruturante para resolver de uma vez por todas a crise hídrica em Serra Talhada, o governo resolveu privatizar a Compesa. E aí, você que mora em Serra Talhada, você vai receber, daqui a dois meses e meio, três meses, uma conta de água que vai ter duas cobranças. Uma cobrança da Compesa e uma cobrança da BRK, que é a empresa privada que agora vai fazer a distribuição de água e de esgotamento por várias regiões de Pernambuco.”
“A CONTA DE ÁGUA VAI SUBIR”, ALERTA JONES
“Então, a conta de água vai subir, o problema da crise hídrica não foi resolvido. Quem é comunista entende que coisas como água são um direito fundamental, é uma dignidade humana e a gente não pode submeter isso ao interesse do lucro. Deveria ser prioridade do governo do Estado, com investimentos estruturantes sérios, para garantir a resolução definitiva dos problemas de abastecimento da água”, disse.
O pré-candidato psolista lembrou do amplo investimento em moradia pública que Serra Talhada vem registrando nos últimos anos e lançou sobre o tema um olhar crítico justificando o porquê da proposta comunista.
“Do mesmo jeito que se faz uma promessa, uma propaganda, melhor dizendo, que Serra Talhada é uma referência em moradia popular, inegavelmente a cidade, nos últimos anos, vem construindo políticas chamativas de moradia popular, mas, por exemplo, se constrói um conjunto habitacional para a população e demora 10 anos para fazer o calçamento E aí, sabe porque é a proposta comunista?”.
“Porque ela tem atraído tanto a gente da classe trabalhadora? Porque a gente diz que a classe trabalhadora é quem produz toda a riqueza, e se a classe trabalhadora produz toda a riqueza, ela deve ser prioridade, ela deve ter dignidade, deve ter acesso a saúde, educação, cultura, lazer, transporte, moradia, saneamento, deve controlar o poder político e decidir como é que funciona a economia.”
“NADA MAIS ATUAL DO QUE ISSO”
“Nada mais atual do que isso, porque, se o povo decidisse as prioridades da economia, as prioridades do orçamento, as prioridades da governança pública, o problema da crise hídrica em Serra Talhada a gente já tinha resolvido há muito tempo e não ia ser, a toda eleição, tema recorrente desses políticos aí que se revezam no poder há muitos anos, de famílias ricas, famílias poderosas, e que nunca resolvem o problema.”
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