
Por Paulo César Gomes, Professor, historiador, escritor e colunista do Farol
Em se tratando da política de Serra Talhada, a política estadual jamais fica à margem dos acontecimentos. O município, historicamente, exerce uma influência que ultrapassa suas fronteiras e alcança o Sertão do Pajeú e diversas outras regiões de Pernambuco. Não por acaso, cada movimento das principais lideranças locais ganha repercussão no tabuleiro estadual.
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De olho na reeleição e na importância estratégica de Serra Talhada para 2026, a governadora Raquel Lyra conseguiu formar um palanque que, até pouco tempo atrás, parecia improvável. Reuniu forças políticas tradicionalmente antagônicas, como Luciano Duque, Sebastião Oliveira e Waldemar Oliveira e, para completar, Carlos Evandro, um legítimo representante da tradicional família Pereira, que até bem pouco tempo estava no palanque da prefeita.
O grupo governista também passou a contar com importantes adesões que vieram do campo político da prefeita Márcia Conrado. Entre elas estão o ex-secretário municipal e ex-vice-prefeito, Márcio Oliveira, filiado ao PT, e Vera Gama, além de vereadores da oposição e ex-vereadores que decidiram integrar o projeto político da governadora.
Outro aspecto que chama atenção é a frequência com que Raquel Lyra tem visitado Serra Talhada. Somente neste ano, a governadora esteve no município pelo menos cinco vezes, uma média de praticamente uma visita por mês. Em todas elas houve entregas de obras, inaugurações, anúncios de investimentos e assinaturas de ordens de serviço, demonstrando que o governo estadual colocou a cidade entre suas prioridades administrativas e políticas.
E JOÃO CAMPOS?
Enquanto isso, o ex-prefeito Recife, João Campos, principal nome da oposição estadual, ainda não conseguiu apresentar, em Serra Talhada, uma articulação com a mesma amplitude. A prefeita Márcia Conrado permanece como sua principal aliada no município, mas enfrenta um cenário em que antigos parceiros migraram para a base do Governo do Estado, alterando significativamente a correlação de forças.
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É evidente que eleição não se vence apenas com alianças, tampouco com visitas institucionais. Entretanto, política também se faz com construção de palanque, ocupação de espaços e demonstração de força. Nesse aspecto, Raquel Lyra parece ter compreendido o peso eleitoral de Serra Talhada e investido fortemente para consolidar sua presença na Capital do Xaxado.
Os levantamentos de opinião divulgados pelo Instituto Múltipla indicam um cenário favorável à governadora no município, refletindo, ao menos neste momento, a percepção de parte do eleitorado sobre sua atuação. Pesquisas, porém, representam um retrato do momento e não um resultado definitivo da disputa eleitoral.
O fato é que Serra Talhada deixou de ser apenas um importante colégio eleitoral do Sertão para se transformar em um dos principais campos de batalha da sucessão estadual. Se hoje Raquel Lyra aparenta largar na frente na disputa local, caberá a João Campos e ao grupo da prefeita Márcia Conrado encontrar respostas políticas capazes de equilibrar um jogo que, até aqui, tem sido.
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