
Com informações do FolhaPE
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, pode provocar mudanças no calendário escolar em todo o país. Uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva determina que as férias da educação básica, tanto da rede pública quanto da privada, coincidam com o período da competição, entre os dias 24 de junho e 25 de julho.
A medida tem gerado preocupação entre gestores, educadores e famílias. Atualmente, o recesso escolar de meio de ano costuma durar entre dez dias e três semanas. Com a ampliação para 32 dias, as redes de ensino terão de reorganizar o calendário para cumprir a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que estabelece um mínimo de 200 dias letivos por ano.
Especialistas afirmam que a mudança pode afetar toda a rotina das escolas e das famílias. Entre os principais desafios estão a necessidade de antecipar o início das aulas, estender o ano letivo ou aumentar o número de sábados com atividades. Também há dúvidas sobre os impactos no cronograma do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de outros processos educacionais.
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No Rio de Janeiro, por exemplo, a situação é considerada ainda mais delicada. Uma lei estadual impede o início das aulas em janeiro, reduzindo a margem para reorganizar o calendário escolar sem comprometer os dias letivos obrigatórios.
Outro ponto levantado por representantes da educação é o impacto para as famílias. Como o período de férias escolares não coincidirá, necessariamente, com o recesso de trabalho dos pais, muitas pessoas poderão enfrentar dificuldades para organizar os cuidados com as crianças durante o mês de paralisação.
A legislação determina a suspensão das aulas da educação básica durante toda a realização da Copa, mesmo que as partidas ocorram apenas em oito cidades-sede: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza. Para especialistas, seria mais adequado que eventuais ajustes ocorressem apenas nos dias dos jogos realizados em cada município.
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As escolas particulares também acompanham o tema. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) informou que avalia os impactos da medida e afirma que poderá adotar medidas judiciais caso entenda que a determinação fere a autonomia administrativa e pedagógica das instituições de ensino.
A regra faz parte da lei que estabelece normas para a realização da Copa do Mundo Feminina de 2027. Além das questões relacionadas à educação, o texto trata de temas como exploração comercial do evento, publicidade, emissão de vistos para profissionais estrangeiros, venda de ingressos, segurança e funcionamento de serviços durante a competição.
Diante da repercussão, o Fórum Nacional de Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (Foncede) solicitou que o Conselho Nacional de Educação (CNE) reavalie a medida. O órgão lembra que, durante a preparação para a Copa do Mundo masculina de 2014, uma determinação semelhante acabou flexibilizada, preservando a autonomia dos sistemas de ensino para definir seus calendários.
O Conselho Nacional de Educação confirmou que analisa o tema e deverá emitir um parecer para orientar a aplicação da norma. Em nota, o Ministério da Educação (MEC) informou que aguardará a manifestação do CNE antes de definir os próximos encaminhamentos.