Serra-talhadense Petrônio Lorena lança EP "Mergulho Ao Vivo" nesta 6ª
Fotos: Divulgação

No dia 31 de julho de 2026 chega às plataformas digitais o EP “Mergulho Ao Vivo”, de Petrônio e as Criaturas. Versão ampliada do disco homônimo lançado em estúdio em 2021, o novo trabalho nasce de um momento improvável: uma live transmitida pelo YouTube durante a pandemia do coronavírus, que revelou uma interpretação tão espontânea e uma qualidade de áudio tão surpreendente que se tornou impossível não transformar em disco.

“Como o áudio da live e a interpretação das canções ficaram com uma excelente qualidade, veio a necessidade de aproveitar o momento espontâneo do som para remixar e remasterizar algumas das canções que foram executadas”, explica Fernando S., produtor musical responsável pelo projeto.

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O que determinou o lançamento, nas palavras do próprio Petrônio, foi a visceralidade das interpretações. “Talvez porque estivéssemos no claustro da pandemia. O importante é que o registro afirma a pujança do repertório”, diz o compositor.

O resultado é um EP de som orgânico, construído a partir do diálogo entre o violão e voz metálica de Petrônio Lorena e o violão de 12 cordas de Rama Om, multi-instrumentista, arranjador e compositor que integra as Criaturas desde 2016. Com passagens pelo violão de 8 cordas, violino, guitarra, viola de 12, djeridu, gaita e marimba, Rama reforça o lado jazzístico da banda e empresta ao EP uma textura sonora que vai além do que se espera de um registro ao vivo.

O repertório é uma navegação por territórios distintos, unidos pela identidade que define Petrônio e as Criaturas: o rock psicodélico com sotaque nordestino. Troglodita é um rock cru e visceral, uma revolta contra o comportamento violento estimulado por ideologias de orientação fascista em várias camadas da sociedade brasileira. Os Olhos Secos de Biu, inspirada no poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, é uma das primeiras composições de Petrônio, datando de 1995, e trata da acomodação de grupos sociais explorados pelas grandes corporações político-familiares do interior do Brasil.

Voador e Desenhos de Nuvens chegam com leveza, conduzindo o ouvinte por percursos interiores do compositor baseados em experiências da infância em Serra Talhada, sua cidade natal no sertão pernambucano. As duas canções também integram projetos cinematográficos de Petrônio: Desenhos de Nuvens faz parte da trilha de “O Silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras” (2016), e Voador integra “Nascente”, longa atualmente em produção, ambos dirigidos pelo próprio Petrônio Lorena.

Cogumelo Secular, parceria com Juba Pires, trombonista da Orquestra Voadora, surpreende: com personagens como um casal de duendes e um saci de três pernas, esconde sob uma aparência lúdica uma letra de forte conteúdo anti-imperialista, embalada por uma musicalidade de raiz celta com interpretação psicodélica. E Chão de Caramelo, parceria com o compositor carioca Jeff Chagas, canção de 1998 que já foi gravada pela banda carioca Balaio, fecha o EP do mesmo jeito que abre os shows da banda, como um ritual de chegada.

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Sobre a revisitação dessas canções, muitas delas antigas, Petrônio reflete: “Os sentimentos permanecem, alguns a gente guarda e outros ficam sempre à vitrine. Acho que é isso que acontece quando a gente revisita a obra. É uma forma também de se ter uma dimensão do que o conjunto da obra representa.”

Sobre Petrônio Lorena

Petrônio Lorena é cineasta e músico. Paralelamente à trajetória com Petrônio e as Criaturas, desenvolve desde 2004 uma carreira consolidada no cinema autoral como diretor e roteirista de curtas e longas-metragens, com foco em documentário antropológico de linguagem experimental. Suas composições e temas instrumentais integram projetos audiovisuais premiados no Brasil e no exterior, como os longas-metragens “O Silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras” (2016) e “Sapato 36” (2021), ambos de sua direção; “Paterno” (2025), de Marcelo Lordello; “Flutuantes” (2012), de Rodrigo Savastano; “La Cama”, da diretora argentina Mônica Lairana; e a série “Ovos da Raposa” (2019), de Valdir Oliveira.

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SERVIÇO

EP Mergulho Ao Vivo | Petrônio e as Criaturas
Disponível nas principais plataformas de streaming em 31/07/26
Fotos: Priscila Ribeiro

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