
Por Paulo César Gomes, do Farol
Em 2024, a prefeita Márcia Conrado foi amplamente elogiada pela estratégia política que montou para sua campanha à reeleição. Ao atrair para o seu palanque o ex-deputado Sebastião Oliveira e a ex-deputada Marília Arraes, conseguiu ampliar seu arco de alianças e, entre outros fatores, inviabilizou a candidatura do deputado estadual Luciano Duque à Prefeitura de Serra Talhada. O resultado foi uma vitória histórica nas urnas, consolidando uma das maiores votações já registradas no município.
Dois anos depois, entretanto, o cenário político é completamente diferente. Márcia conseguiu desfazer a aliança com Sebastião Oliveira, que, na prática, representava o nome mais competitivo para enfrentar Luciano Duque no plano municipal. Em vez de preservar esse capital político, decidiu apostar todas as fichas na candidatura do seu esposo, Breno Araújo, um estreante na política eleitoral, que, até o momento, demonstra dificuldades para consolidar seu nome junto ao eleitorado.
Quem observa atentamente os números da pesquisa Múltipla/Farol percebe que, mesmo estando em pré-campanha há mais de um ano e contando com toda a estrutura política e administrativa da gestão municipal, Breno ainda não conseguiu decolar nas intenções de voto. Pelo tempo de exposição e pelo aparato político de que dispõe, seria razoável esperar um desempenho mais próximo da faixa dos 20%. No entanto, isso ainda não aconteceu.
Situação semelhante vive o deputado federal Fernando Monteiro. Mesmo contando com o apoio da prefeita e de parte significativa da base governista, divide o eleitorado com Charles, o candidato da “vaquinha online”, evidenciando uma pulverização de votos que enfraquece o grupo político da gestora.
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Os números revelam um quadro que merece atenção. Embora continue sendo uma liderança importante em Serra Talhada, Márcia Conrado já não apresenta o mesmo desempenho político observado logo após a reeleição. Sua aprovação pode ser considerada apenas regular, 57%, sobretudo quando comparada à expressiva votação superior a 28 mil votos que obteve em 2024.
Outro dado que chama atenção é o desempenho da governadora Raquel Lyra. Segundo a pesquisa Múltipla/Farol, ela alcança cerca de 70% de aprovação no município, índice superior ao da prefeita. O resultado ganha ainda mais relevância quando se observa que o pré-candidato apoiado por Márcia para o Governo do Estado, João Campos, aparece com mais de vinte pontos percentuais atrás da governadora em Serra Talhada.
Esse cenário possui também um significado histórico. Foi justamente a partir de Serra Talhada que Raquel Lyra iniciou uma mudança importante em sua relação política com o interior do estado. O município tornou-se um dos destinos mais frequentes de suas agendas administrativas. Simbolicamente, Serra Talhada assumiu um protagonismo superior ao de outras importantes cidades do interior, como Caruaru, Petrolina e Garanhuns.
Se as pesquisas continuarem apontando nessa direção, a avaliação é de que Márcia Conrado vem perdendo parte da força política construída nos últimos anos. Ao mesmo tempo, abre espaço para o reagrupamento das oposições, especialmente em torno de Luciano Duque e Sebastião Oliveira, que podem voltarem a protagonizar o debate sucessório com vistas às eleições municipais de 2028.
Na política, alianças são construídas e desfeitas com frequência. O desafio dos governantes, porém, é saber administrar essas mudanças sem comprometer o capital político acumulado. Em Serra Talhada, os primeiros sinais indicam que as escolhas feitas pela prefeita após a vitória de 2024, começam a produzir efeitos que poderão influenciar diretamente a disputa de 2028.
14 comentários em A estratégia de Márcia em 2 momentos e os números da Múltipla