A serra-talhadense Laísa Magalhães festeja uma década de ação cultural
Fotos: Divulgação

Por Carlos Sett, especial para o Farol

Brincante da cultura popular, dançarina, atriz, produtora cultural e estudante de Psicologia, a jovem artista serra-talhadense, Laísa Magalhães, se define como um fruto do Sertão. “Sou filha de Oxum, mãe de Açucena, uma mulher que caminha sabendo que há quem guie seus passos. Sou filha de Marta, neta de Maria e de Mariquinha. Alguém que trilha o caminho buscando honrar a ancestralidade, a força de tudo que antecedeu a sua chegada. Trilho essa jornada com firmeza e coragem. Sou presença entre aquilo que almejo e a teima em conseguir alcançar meus objetivos”.

Na infância estudou Escola Irnero Ignacio, e no Colégio Municipal Cônego Torres, foi nesse educandário onde aconteceu o seu despertar artístico, já o ensino médio ela cursou na Escola Cornélio Soares.

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“Fui uma criança tímida, introvertida e, na vastidão da biblioteca do Colégio Cônego Torres, busquei conforto nos livros. Veio o programa “Mais Educação”, participei de oficinas de desenho e percussão. O cenário mudou de fato, ao “Projeto Afro” e “Chamado da Terra”, que abordavam a história dos povos originários. Através da dança, enxerguei uma possibilidade e nela mergulhei”. No ensino médio, através do “Programa Ganhe o Mundo”, do governo do Estado de Pernambuco, tive a oportunidade de morar, por quatro meses na Nova Zelândia.

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Sobre sua carreira profissional no campo das artes e da cultura, ela nos revela: “Acredito nas Artes Cênicas como um todo, gosto de explorar a versatilidade. Tenho um fascínio pela dança, porque através dela consegui me enxergar enquanto corpo. O teatro é uma paixão antiga, mantido como algo sacro e de difícil acesso, mas tenho me permitido desconstruir esse conceito, entendendo e fazendo. Ser muitas dentro de uma só, fantasiar, trazer o lúdico para a realidade e vice-versa. Essas duas linguagens, são as encantarias que me trazem alegria”.

“Minha trajetória se concretizou através do Grupo de Danças Gilvan Santos, onde ingressei no mês de agosto de 2016. ali tive a honra de ser aluna de Gorete Lima, a quem tenho profunda estima e admiração. Após isso, passei a participar do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, em 2019 a convite de Cleonice Maria. Todas as dançarinas do grupo representam uma cangaceira no espetáculo. Entrei interpretando a “Mocinha”, companheira do cangaceiro Cirilo e desde 2021, interpreto a personagem Maria Bonita, fiz essa estreia após o cenário pós-pandêmico”. Ressalta sobre o seu inicio de trajetória como profissional da dança.

Sobre sua atuação em teatro, ela nos conta de sua participação na comédia “A Chegada de Lampião no Inferno”, “Jesus Sertanejo – A Paixão de Cristo” e “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”. Desde 2024, ela desenvolve trabalhos na área da comunicação e publicidade, encontrando novas possibilidades de colocar o seu “carisma” para jogo e sabiamente conclui:

“Gonzaguinha cantou: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças”, e é nessa pureza que encontro sentido para caminhar pelas artes como ofício. A infância é um berço sagrado, onde nascem os afetos e começamos a enxergar o mundo. Carrego muito do que fui naquilo que sou. Um fruto não nega sua raiz, apesar de quão longe esteja. Digo que não devemos perder a capacidade de sonhar, de se encantar. A arte cura. A cultura salva. O artista é transgressor, tem diversas identidades, é criador e criatura, seu ofício flui, gera encontros e conexões reais. Que aprendamos a sentir, a pensar, a reconhecer a própria história. Afinal, todo caminho começa em algum lugar, quase sempre na infância”.

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