A retirada de uma árvore conhecida como “pata-de-vaca”, no centro de Serra Talhada, despertou a preocupação do biólogo, poeta, e morador da localidade George Carlos do Nascimento, que decidiu tornar o caso público e solicitar a apuração dos órgãos ambientais.
Em contato com a reportagem do Farol de Notícias na manhã desta quinta-feira (20), George contou que a árvore estava localizada em frente à antiga APAE, na Rua Coronel Cornélio Soares, conhecida como rua dos Correios. Segundo George, a planta tinha aproximadamente quatro a cinco anos, estava saudável e, aparentemente, não apresentava sinais de decomposição ou risco evidente que justificasse sua retirada.
A árvore vinha sendo cuidada pelo artista plástico Mário Novaes, conhecido como Mário das Cabaças, que dedica parte do seu tempo ao cuidado das plantas próximas à Igreja do Rosário. Para George, o caso representa uma preocupação maior com a arborização da cidade.
“Não estamos falando apenas de uma árvore. Estamos falando de uma cidade que precisa de sombra, de uma região onde o calor é intenso e onde cada árvore urbana exerce uma função ambiental importante. Estamos falando da Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, que já sofre historicamente com desmatamento, degradação e perda de cobertura vegetal”, afirmou.
O biólogo também destaca que uma árvore pequena pode ter grande importância para o ambiente urbano.
“Uma árvore pode parecer pequena para quem olha rapidamente. Mas, para quem entende de meio ambiente, ela representa muito mais: sombra, abrigo, umidade, paisagem, biodiversidade, qualidade de vida e memória. Uma árvore que levou quatro ou cinco anos para crescer pode ser retirada em poucos minutos. E essa é a parte mais dolorosa”, disse.
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Possível interferência comercial
A denúncia cita relatos de que a árvore poderia estar interferindo na visibilidade de um ponto comercial próximo. George questiona se essa seria uma justificativa para a retirada e aponta que outras alternativas poderiam ter sido avaliadas.
“Será que uma árvore saudável precisa ser eliminada simplesmente para melhorar a visibilidade de um estabelecimento? Não seria possível buscar uma solução técnica? Uma poda adequada, quando legalmente autorizada e tecnicamente indicada? Uma adequação da fachada? Uma alternativa que permitisse conciliar atividade comercial e preservação ambiental?”, questionou.
Pedido de apuração
George solicita que a Agência Municipal de Meio Ambiente de Serra Talhada (AMMA) investigue quem realizou a retirada, se houve autorização, qual foi a justificativa e se existia laudo técnico indicando algum risco. Ele também pede que seja verificado se a árvore estava em área pública e se foram observadas as normas do Plano Municipal de Arborização Urbana.
O biólogo ressalta ainda que não pretende apontar culpados antecipadamente, mas quer que o caso seja esclarecido.
“Não se pretende aqui condenar antecipadamente ninguém, mas exigir que os fatos sejam esclarecidos e que, caso tenha ocorrido alguma irregularidade, sejam adotadas as providências previstas na legislação”, afirmou.
George também faz um alerta sobre a preservação das árvores da cidade:
“Hoje foi uma pata-de-vaca. Amanhã pode ser um umbuzeiro. Depois, uma craibeira, uma quixabeira, uma baraúna. Uma árvore qualquer que alguém decidiu retirar porque estava ‘atrapalhando’. E, quando percebermos, nossa cidade estará cada vez mais quente, mais cinzenta e menos humana”, alertou.
Ao final, ele reforça a importância da arborização para a qualidade de vida da população.
“Serra Talhada precisa de mais árvores, não de menos. Quem planta uma árvore está pensando no futuro. E quem destrói uma árvore saudável sem necessidade está, muitas vezes, destruindo um pouco do futuro de todos nós”, concluiu.
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OUTRO LADO
A reportagem do Farol de Notícias entrou em contato com o resposável pela Agência Municipal de Meio Ambiente, Ercílio Ferrari, para buscar esclarecimentos sobre o ocorrido. De acordo com Ercílio, o setor irá buscar identificar o responsável pelo corte da árvore e serão tomadas as devidas providências.

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