A ação exige que a rede pague R$ 2 milhões por indenização por dano moral coletivo (Foto:Divulgação/Drogasil)
A ação exige que a rede pague R$ 2 milhões por indenização por dano moral coletivo (Foto:Divulgação/Drogasil)

Do Diário de Pernambuco

Cerca de 600 funcionários eram impedidos de sentar durante expedientes em farmácias Drogasil no Grande Recife. O dado é estimado pelo Sindicato dos Farmacêuticos no Estado de Pernambuco (Sinfarpe) e se refere à ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-PE) contra a rede, pedindo R$ 2 milhões em indenização pela conduta.

A movimentação da Ação Civil Pública (ACP) foi divulgada pelo MPT-PE na quarta (19). A determinação que restringia os trabalhadores era verbal, segundo o Sinfarpe, que afirma receber esse tipo de denúncia há cerca de quatro anos.

Continua depois da publicidade

De acordo com a organização sindical, a instituição já tentou ajuizar uma ACP contra a Raia Drogasil. A medida, no entanto, nunca teria seguido adiante por medo dos trabalhadores.

Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)

Ação

O MPT-PE aponta irregularidades relacionadas às condições ergonômicas de trabalho em unidades da Drogasil em todo o estado. Segundo o órgão, os funcionários eram proibidos de se sentarem durante o expediente, mesmo quando não estavam em atendimento ao público.

A medida, que tem pedido de tutela de urgência, tramita na Justiça do Trabalho do Recife e solicita que a empresa garanta o uso efetivo de assentos e pausas para descanso ao longo da jornada.

Investigação

Segundo o MPT-PE, a investigação teve início a partir de denúncia que relatava a situação dos operadores. De acordo com os relatos, os assentos ficavam disponíveis apenas para aparentar o cumprimento das normas, enquanto as atividades eram realizadas em pé durante toda a jornada de trabalho.

As testemunhas ouvidas pelo MPT-PE confirmaram que atendentes de caixa e balconistas de diversas lojas eram impedidos de utilizar as cadeiras, mesmo quando não estavam em atendimento ao público.

Continua depois da publicidade

Os depoimentos indicaram que os trabalhadores relatavam dores nas pernas, nos pés e na coluna, além de cansaço intenso ao final do expediente, destacou o órgão.

Receba as manchetes do Farol primeiro no canal do WhatsApp (faça parte)

O MPT-PE diz ter analisado documentos apresentados pela empresa, incluindo a Análise Ergonômica do Trabalho, cuja documentação técnica recomendava medidas como alternância de postura, utilização de assentos para descanso e pausas ao longo da execução das atividades, em conformidade com a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), que trata de ergonomia.

Em caráter de urgência, o MPT-PE pede que a Justiça determine que a empresa implemente as medidas previstas na NR-17, forneça assentos com encosto próximos aos postos de trabalho, especialmente caixas e balcões, e deixe de impedir, restringir ou dificultar a utilização desses assentos durante os períodos em que não houver atendimento ao público.

O órgão também requer que a Raia Drogasil promova a alternância de posturas durante a rotina laboral.

“Manter trabalhadores em pé durante toda a jornada, sem permitir pausas e alternância postural, configura risco à saúde e afronta normas de proteção ao meio ambiente do trabalho. Essa ação sustenta que a permanência prolongada em pé pode causar fadiga, dores, problemas circulatórios e outros agravos relacionados ao trabalho”, defende a procuradora do Trabalho Vanessa Patriota, à frente do Inquérito Civil (IC) que deu origem à ACP.

Continua depois da publicidade

Multa

Em caso de descumprimento, o MPT-PE pede multa de R$ 20 mil por obrigação violada, acrescida de R$ 2 mil por trabalhador prejudicado.

O valor, juntamente com a indenização, será destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), ao Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), ao Fundo Estadual do Trabalho (FET/PE) ou a outra destinação social indicada pelo MPT.

O que diz a Raia Drogasil S.A.

Por meio de nota, a Drogasil informou que não foi citada nesta ação pela Justiça do Trabalho de Pernambuco.

Quando a citação ocorrer, a rede farmacêutica afirma que avaliará os argumentos do MPT e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos do processo.