
Por Paulo César Gomes, Professor, escritor e historiador, colunista do Farol
A coluna “Viagem ao Passado” de hoje resgata imagens e nos remete aos antigos desfiles de 7 de Setembro, nos remetendo a um sentimento de nostalgia. A fotografias destacadas, foram enviadas pelo faroleiro Crissóstenes Pereira.
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As imagens nos transportam para uma Serra Talhada de outras décadas, quando o desfile da Independência era um dos grandes acontecimentos do calendário da cidade. Era dia de colocar a melhor roupa, preparar os uniformes, organizar as escolas, ensaiar as apresentações e, principalmente, ocupar as ruas para assistir à passagem dos estudantes.
A cidade como cenário
Uma das fotografias do acervo mostra uma jovem em plena apresentação, executando um movimento que chama imediatamente a atenção. Com uniforme cuidadosamente preparado e uma grande faixa atravessando o corpo, ela representa um pouco da beleza e da disciplina que marcavam as apresentações estudantis daqueles tempos.
Ao fundo, aparecem outras crianças e pessoas acompanhando a movimentação. O chão ainda sem a configuração urbana que conhecemos hoje, os muros, as árvores e as construções ajudam a revelar uma paisagem completamente diferente da Serra Talhada atual.
É justamente aí que está uma das maiores riquezas dessas fotografias: elas não registraram apenas o desfile; registraram a cidade.
Cada parede, cada janela, cada rua e cada detalhe arquitetônico se transforma em uma pista para quem deseja reconstruir a história urbana de Serra Talhada.
Quando as escolas tomavam as ruas
Outra imagem é ainda mais reveladora. Um carro alegórico percorre a rua, levando estudantes caracterizados para uma apresentação. Ao redor, uma multidão acompanha atentamente.
As crianças aparecem perfiladas nas calçadas, enquanto adultos observam o cortejo. Nas portas e janelas das casas, moradores também acompanham o desfile.
A fotografia mostra uma cidade onde o espaço público era, naquele dia, transformado em ponto de encontro.
O desfile não era apenas dos estudantes. Era da comunidade inteira.
Pais, mães, irmãos, avós, professores e moradores saíam de suas casas para ver a passagem das escolas. Para muitas famílias, aquele momento também era uma oportunidade de guardar uma lembrança dos filhos ainda crianças ou adolescentes.
E as fotografias acabavam se tornando uma espécie de certificado de participação na história.
A disciplina, os uniformes e a marcha
Uma terceira fotografia apresenta uma longa formação de estudantes, predominantemente meninas, ocupando os dois lados da rua. À frente, um integrante uniformizado conduz o grupo.
A cena chama atenção pela organização. As estudantes estão alinhadas, uniformizadas e prontas para seguir o desfile. Ao fundo, surge a paisagem serrana que caracteriza Serra Talhada, compondo uma imagem que hoje possui um valor histórico extraordinário.
O que naquele momento provavelmente era visto apenas como mais um desfile, décadas depois se transformou em documento visual de uma geração.
Os uniformes, os calçados, os penteados, a maneira de marchar e até a arquitetura das casas permitem compreender hábitos, costumes e aspectos do cotidiano de uma sociedade que já mudou profundamente.
Uma fotografia, muitas histórias
Talvez o detalhe mais emocionante dessas imagens esteja justamente nas pessoas.
Quem são aquelas crianças?
Onde estão hoje?
Quantas delas continuam vivendo em Serra Talhada?
Quantas seguiram outras profissões, constituíram famílias ou partiram para outras cidades?
E quantas já não estão mais entre nós?
A fotografia congela um segundo, mas a vida continua depois daquele instante. É por isso que os registros antigos possuem tanta força.
Para quem participou daqueles desfiles, rever uma imagem como essas pode significar reencontrar a própria infância. Para os mais jovens, é uma oportunidade de conhecer uma Serra Talhada que não aparece nos livros, mas que permanece guardada nos álbuns familiares.
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O desfile que ficou na memória
Os desfiles de 7 de setembro de décadas passadas também ajudam a compreender como a escola ocupava um lugar importante na vida comunitária. Professores e estudantes se preparavam para aquele momento com dedicação, enquanto as famílias acompanhavam tudo com orgulho.
Não havia a facilidade tecnológica dos dias atuais. Não existiam celulares para registrar cada instante. Uma fotografia exigia uma câmera, filme, cuidado e, muitas vezes, paciência para esperar a revelação.
Por isso, cada fotografia guardada por uma família possui um significado ainda maior, principalmente em se tratando de memórias.
O passado volta a desfilar
Mais de cinco décadas depois, aquelas crianças cresceram. Os estudantes se tornaram adultos. As ruas mudaram. Muitas das casas foram modificadas ou desapareceram. Novos prédios surgiram e a cidade ganhou outra dimensão.
Mas existe algo que permaneceu. É justamente a memória, seja individual ou coletiva, pois é através dela que conseguimos voltar à Serra Talhada de outros tempos.
As fotografias dos desfiles de 7 de Setembro são pequenas cápsulas do tempo. Guardam o movimento das ruas, a disciplina dos estudantes, a expectativa das famílias e a paisagem de uma cidade que se transformava lentamente.
Porque, quando uma fotografia antiga é retirada de um álbum e compartilhada, ela deixa de pertencer somente a uma família. Ela passa a pertencer à memória de todos nós.
VIAGEM NO TÚNEL DO TEMPO:
2 comentários em Os desfiles de 7 de Setembro em ST revelavam os costumes da cidade