
A transferência da Caixa Econômica Federal do centro para as dependências do Shopping Serra Talhada pegou parte dos clientes de surpresa na manhã desta segunda-feira (14). Um aviso foi colocado na entrada da antiga agência, informando sobre a mudança, mas alguns clientes afirmaram que não receberam comunicação prévia sobre o novo local de atendimento, que está funcionando apenas com serviços de autoatendimento e sem previsão de finalização do período de greve, em virtude da paralisação nacional.
A reportagem do Farol de Notícias esteve no local, na manhã desta segunda-feira e conversou com algumas pessoas que relataram sua insatisfação com a mudança repentina. A comerciante Antonia Lopes, que trabalha há cerca de 16 anos em frente a agência, contou que só tomou conhecimento da transferência ao chegar ao local. Segundo ela, a falta de movimento provocado pela saída da Caixa também pode afetar os comerciantes que dependem do fluxo de clientes:
“Só hoje que eu cheguei aqui e encontrei os papéis na porta informando que a Caixa foi transferida. Antes não teve nenhum aviso. A gente não deixa de sentir um pouco o impacto, porque temos os nossos clientes, principalmente o pessoal que vem de fora para a Caixa. Então, de alguma forma, isso acaba afetando a gente também”, relatou Antonia.
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Entre os clientes que precisaram mudar o trajeto está Maria de Fátima Gomes, que mora a cerca de 38 km de Serra Talhada. Ela contou que ficou sabendo da mudança por meio de um programa de rádio e, mesmo assim, foi até a unidade para tentar resolver suas pendências.
Ao chegar ao novo ponto de atendimento, no entanto, Maria afirmou que encontrou dificuldades para sacar dinheiro. Segundo ela, os caixas eletrônicos estavam sem dinheiro e a lotérica localizada no shopping também não tinha valores disponíveis.
“Eu só quero que eles tenham mais consideração pelas pessoas, principalmente por quem mora longe. Antes de fazerem esse tipo de coisa, deveriam comunicar pelo menos três ou quatro dias antes, para que a gente já soubesse para onde teria que ir. A pessoa não pode ficar se batendo na rua, perguntando para um e para outro. Eu andei 38 quilômetros para chegar aqui e ainda tenho que gastar com transporte. Se não tenho dinheiro, vou tirar de onde?”, questionou Maria.
Outro entrevistado foi o senhor Valmir dos Santos. Ele teve uma experiência diferente e afirmou que tomou conhecimento da mudança também através do rádio e foi até o shopping para verificar a situação. Apesar de não ter conseguido atendimento naquele momento por estar sem o cartão, recebeu orientação para retornar posteriormente. Para Valmir, a mudança pode acabar facilitando o acesso aos serviços bancários, principalmente pela existência de outros pontos de atendimento na cidade.
“Rapaz, foi bom. Vai ficar melhor, porque lá no Alto Bom Jesus tem uma, no Centro tem uma e agora vai ter essa também. Para mim, ficou mais perto”, avaliou.
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Já a comerciante Rejane Raimunda da Silva, que trabalha no local há cerca de oito anos, afirmou que a transferência da Caixa já era comentada havia algum tempo, mas que a saída da agência representa uma perda significativa para os comerciantes instalados nas proximidades.
Segundo ela, o movimento provocado pelos clientes da Caixa ajudava diretamente os pequenos estabelecimentos, principalmente no consumo de café, lanches e outros produtos. Com a mudança, o comércio local já começou a sentir os efeitos.
“Uma hora dessas tinha gente, comprava um café, comprava uma coisa, uma pipoca, um salgadinho, essas coisas. Agora não. Aí fica ruim para nós. Se não colocarem outro comércio grande para movimentar, meu filho, parou. E como é que nós vamos sustentar nossos filhos e nossos netos?”, desabafou Rejane.
A mudança ocorre em meio à paralisação dos serviços da Caixa e altera a rotina de clientes que costumavam procurar a agência localizada no Centro. Para quem depende do atendimento presencial ou dos serviços dos caixas eletrônicos, a transferência também trouxe dúvidas sobre o funcionamento e a disponibilidade de dinheiro.
Enquanto os clientes cobram mais informações sobre a mudança e comerciantes avaliam os possíveis prejuízos, o novo ponto de atendimento passa a concentrar parte da movimentação que antes ocorria na região central de Serra Talhada.
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