
O padre Rogério Marinho, da Área Pastoral São Francisco de Assis, em Serra Talhada, explicou durante entrevista ao Programa Falando Francamente, da TV Farol de Notícias no YouTube, nesta quinta-feira (24), como funciona a atuação de um sacerdote autorizado pela Igreja Católica para exercer o ministério do exorcismo.
Padre Rogério que é o único sacerdote com essa função na Diocese de Afogados da Ingazeira, explicou que embora todo sacerdote atue em nome de Cristo, o exorcismo é uma atribuição oficialmente delegada pelo bispo diocesano.
De acordo com o padre, a Igreja entende que a autoridade para expulsar demônios foi confiada por Jesus aos apóstolos. Atualmente, essa responsabilidade está relacionada aos bispos, que podem delegar o exercício do ministério a um sacerdote específico.
“Todo sacerdote teria esse poder de exorcizar, uma vez que nós agimos em persona Christi, ou seja, na pessoa de Cristo. Só que, biblicamente, nós entendemos que esse poder foi reservado aos apóstolos. Foi entregue aos 12 apóstolos e não aos 72 discípulos. Então, essa sutileza da fé, a Igreja pegou, e esse poder está reservado aos apóstolos, que hoje são os nossos bispos diocesanos”, explicou o padre.
Padre Rogério contou que recebeu a autorização do bispo em 2025 e passou por uma formação específica para exercer a função. Segundo ele, além da preparação, o elemento fundamental é a delegação oficial do bispo, que é formalizada por meio de documentação.
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O sacerdote também relatou que sua atuação não se limita ao exorcismo. Desde 2011, ele trabalha com parapsicologia e atende pessoas que procuram ajuda diante de situações que consideram inexplicáveis. Entre os relatos estão objetos que mudam de lugar, luzes que se acendem ou apagam sozinhas, aparições, objetos que levitam e até episódios de combustão.
Segundo o sacerdote, a primeira preocupação nesses casos é compreender o fenômeno e tranquilizar a família. Ele destaca que a parapsicologia, a psicologia e a psiquiatria podem contribuir para a investigação e compreensão dessas situações antes de qualquer interpretação religiosa.
“Nós vamos ali para explicar o que está acontecendo, dar nome a esse fenômeno e tranquilizar a família nesse momento. A psicologia explica, a psiquiatria nos ajuda também, e a própria parapsicologia vai dar nome a esses fenômenos. Desde 2011 a gente faz um pouquinho esse ministério de acolher as pessoas, orientar direitinho, tirar o medo, fazer uma visita”, pontuou o sacerdote.
O padre afirmou ainda que existe uma diferença entre os fenômenos investigados pela parapsicologia e aqueles que, dentro da compreensão da Igreja, poderiam apresentar uma dimensão espiritual. Para ele, o acompanhamento deve ser feito com cautela, evitando conclusões precipitadas. Segundo o sacerdote, somente depois de esgotadas as possibilidades de explicação pelos campos científico e psicológico é que a questão pode ser analisada sob a perspectiva da fé e da doutrina católica.