
Por Giovanni Sá, editor-geral do Farol
Na última sexta-feira (16) o Farol publicou um belo texto da Maria Robb, Socióloga, Professora Universitária Aposentada, Serra-talhadense, filha de dona Mocinha. Atualmente residente em Londres, Inglaterra. Com muita sabedoria, Maria fez um texto nada apaixonado, mas realista, sobre as conquistas e problemas existentes no Brasil.
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Acredito que pelo fato de se declarar de esquerda, foi o estopim para uma série de ataques em massa contra a conterrânea.
“Eu sou uma mulher de esquerda e não escondo isso. Não tenho vergonha de dizer que acredito em um Estado que proteja quem trabalha, quem envelhece, quem adoece, quem precisa da escola pública, quem não consegue comprar medicamentos e quem depende de políticas sociais para ter uma oportunidade”, escreveu, assumindo, por tabela, o perigo de discordar do senso comum conservador, mísógino e excludente que se apossou de parte da sociedade brasileira.
SOBRE OS ATAQUES
Foram mais de 350 comentários no Instagram, até ontem (sábado), entre eles, algumas ‘pérolas’. “Deve ser uma maravilha, fugir para a Inglaterra, País moralizado e justo, e opinar nesse cabaré a céu aberto que o PT fez do Brasil. Calada é uma poeta”, disse um leitor bolsonarista, mandando o seu cartão de visitas.
Outro usou a mesma tática do ataque ignorante: “Deixei de ler assim que vi a parte que ela diz ser de esquerda, mas mora na Inglaterra. Porque não Cuba, Nicarágua, Venezuela, China”. E tantos outros vis, que me deixou profundamente envergonhado.
Porém, tem um lado positivo disso tudo: algumas características que são inerentes aos bolsonaristas foram descobertas. Um fato é que boa parte, ou maioria, com algumas excessões, não gostam de ler, isso crava que o cobertor da ignorância serve de afeto.
Muitos reclamaram que o texto era muito grande, e portanto, só leram o início, e ‘pularam’ quando Maria Robb disse ser de esquerda. Ela acabou se transformando na Maria Madalena, a pecadora, ou a ‘Geni’ de Chico Buarque. Sugiro pesquisa sobre estas personagens.
Outra descoberta é que o bolsonarista raiz gosta mesmo é de ver as figuras do gibi, fazer ‘arminhas’, repetir as frases ‘lularápio e luladrão’, porque não conseguem avançar mais do que isto. Bom mesmo, na ótica da extrema-direira, é achincalhar, fazer a ‘fogueira do ódio’, e se der brecha, agredir fisicamente, porque não?
Não quero este Brasil, tenho sonhos mais comuns à partilhar. Portanto, só me resta, como editor do Farol, pedir desculpas a Maria Robb, pela ignorância de alguns.
Bom domingo a todos!
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6 comentários em Minhas desculpas a socióloga Maria Robb, pela ignorância bolsonarista