Paraguai destitui presidente e prende Peña em um só dia
Foto: Reprodução/X

Do Diário de Pernambuco

Logo após sofrer impeachment no Senado do Paraguai, nesta sexta-feira (6), o presidente destituído Santiago Peña foi preso em casa pela Polícia Nacional, onde está mantido sob custódia. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color. A ordem foi emitida pelo Ministério Público, que abriu três processos criminais contra o ex-chefe de Estado relacionados ao escândalo financeiro que parou o país sul-americano, envolvendo o banco digital Ueno Bank, nesta semana, do qual Peña era acionista.

O julgamento no Senado paraguaio que condenou o político de direita do Partido Colorado foi encerrado às 18h50 — o país tem o mesmo fuso horário de Brasília-DF. Iniciado nesta mesma sexta-feira, durou menos de 10 horas e obteve voto favorável da maioria, inclusive de aliados. Dos 45 senadores do país, um estava ausente. A ordem de prisão correu na esteira, diante do colapso do banco, que deixou quase 3 milhões de pessoas (60% da população adulta) sem acesso ao próprio dinheiro.

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Os três processos criminais que envolvem o agora ex-presidente Santiago Peña apuram enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, peculato e abuso de poder. Antes do processo de destituição, na quinta-feira (5), ele tentou renunciar. A alternativa lhe asseguraria o mandato vitalício de senador do país, garantia da Constituição do Paraguai exclusiva aos ex-presidentes da República que não sofrem impeachment.

Diante da iminência da decisão, Peña publicou uma mensagem de despedida em suas redes sociais na qual afirmou deixar o cargo com “gratidão” e para “restaurar a paz”. “Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e para ajudar a restaurar a paz no Paraguai. Não quero que minha presença seja causa de mais divisão e instabilidade”, escreveu. “Saio com gratidão, reconhecendo a angústia daqueles que aguardam respostas.”

Seu vice, Pedro Alliana, assume a presidência até 15 de agosto de 2028.

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O processo

Santiago Peña não compareceu ao julgamento no Congresso, mas enviou os advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda. O primeiro foi responsável pela defesa do presidente Fernando Lugo, em 2012, igualmente destituído. No processo, eles denunciaram “impossibilidade material de defesa”, diante de uma acusação composta por centenas de páginas e anexos, com menos de 12 horas para revisão do processo.

Diante de um Senado decidido pela condenação, a defesa cobrou “rigor jurídico e de fundamentos probatórios sólidos”. Adolfo Ferreiro sustentou que o Congresso agia arbitrariamente ao não analisar a apresentação de renúncia de Peña, e Ricardo Preda disse que o processo não poderia se basear unicamente em “evidências circunstanciais” ou “rumores” de ligações do presidente com a crise do Ueno Bank.

Questionados pelos parlamentares sobre as razões do colapso do banco, tangenciaram as decisões do chefe do Executivo da falência de uma empresa privada e afirmaram que “bancos quebram em todos os lugares”. Do lado de fora do Congresso, na Plaza de la Democracia, milhares de paraguaios comemoraram a decisão, entre gritos, bandeiras e a canção patriótica mais popular do país, “Patria Querida”.

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