
João Duque Papelaria, uma das mais tradicionais lojas em atividade do centro de Serra Talhada, completa 80 anos de atuação no mercado comercial nesta terça-feira (6). Desde 1946, quando iniciou os investimentos no ramo do comércio, João Duque de Souza exerceu diversas atividades e trouxe importantes contribuições para a economia e desenvolvimento da cidade.
Nesta segunda-feira (5), aos 97 anos de idade e oito décadas diárias exercendo seu oficio, o empreendedor recebeu mais uma vez a reportagem do Farol de Notícias e relembrou como tudo começou até se tornar uma empresa consolidada.
“Eu comecei a minha vida eu tinha 18 anos, em 1946. Em 6 de janeiro foi a data em que eu me estabeleci com a bodega, com o capital oriundo, de venda de 17 rezes que meu pai havia me dado, tudo. Naquela época, meu pai dava para cada filho, quando nascia, uma bezerrinha, e a minha já ia em 17. Daí formei o capital para adquirir essa bodega. E ainda sobrou alguma parte para o capital de giro e demos andamento. Eu tinha experiência comercial, porque eu tinha trabalhado dois anos. Já com 16, 17 anos, eu trabalhei dois anos numa loja de tecido, vendendo tecido no retalho. E daí as atividades em que eu exercei durante todo esse período são diversas. Comecei em um prédio, que é aí na esquina, onde hoje é uma loja que vende joias e daí passamos para um segundo prédio. Terceiro, já tínhamos condição de adquirir um imóvel. Foram várias mudanças até parar aqui. E hoje a bodega que eu desenvolvo, essa papelaria já há alguns 30, 40 anos por aí”, relembrou o empreendedor complementando:
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“Então, nós trabalhamos como revendedor de cimento nasal durante 15 anos; fomos distribuidor de farinha de trigo do Moinho Recife; fomos concessionário da Olivetti; trabalhamos com o Boticário; tivemos revenda Volkswagen; trabalhamos com material de construção. Enfim, tudo o que se fazia necessário para essa cidade, eu buscava as fontes fornecedoras, a fim de que em Serra Talhada também tivesse aquele produto e assim foi no decorrer da minha vida”
Suas contribuições não foram apenas importantes para a economia local, como também, para o desenvolvimento social da cidade. Durante a entrevista, João Duque também falou sobre algumas das atividades que desenvolveu para contribuir com o bem-estar social e coletivo:
“Eu me envolvi também com o social, é uma coisa que veio da minha mente, Deus me instruiu nesse sentido. Fui dirigente do abrigo Ana Ribeiro por alguns anos. Depois me envolvi com atendimento à criança e adolescente, que foi o Propac durante 15 anos, que era financiado por um órgão nacional, que é a Visão Mundial. Então, depois, eles resolveram não financiar mais o projeto que pretendiam atender outros países de maior carência, como na África, por exemplo. E aí eu me envolvi com a APAE, participei da fundação da APAE, e até hoje me encontro ainda participando. Não ativamente, porque a minha disposição de saúde não permite. Mas eu trouxe para aqui também o Ministério Gideônico, que é uma linha de trabalho onde fazemos distribuição de Novo Testamento em todas as instituições e escolas e trouxemos também o CDL”, pontuou.
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Apesar das limitações causadas pela idade, João Duque ainda se mantém firme e constantemente presente na loja. Sua simpatia e contato direto com seus clientes é um grande diferencial e que ele faz questão de manter:
“Ainda estou na atividade porque o trabalho é uma coisa que me faz bem. E faz o bem ao ser humano. Eu acho que ruim é parado porque a pessoa enche a cabeça de tudo quanto é coisa, muitas vezes até pratica o mal porque não tem o que fazer. Mas, acima de tudo, devemos buscar Deus e viver porque sem Jesus não somos nada. A loja é onde eu passo os meus dias e isso me faz bem. Eu gosto de ter o contato com pessoas, principalmente gente que vem de muitos anos atrás, como cliente da loja, outros amigos ou família. Então, meu ambiente de vida, de trabalho é aqui e assim, enquanto Deus permitir, estarei aqui”, finalizou.
3 comentários em Aos 97 anos, João Duque celebra 80 de comércio: “O trabalho me faz bem”