Crianças desaparecidas no MA: depoimento de menino muda estratégia de buscas por irmãos
Foto: Reprodução

Do g1

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completa 21 dias neste sábado (24) e levou a uma mudança na estratégia das buscas em Bacabal, no Maranhão. Isso ocorre após o depoimento do primo de 8 anos que estava com as crianças e com a ausência de vestígios nas áreas vasculhadas.

Depois de varreduras minuciosas em diversas áreas, sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.

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“O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão.

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Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago.

“Infelizmente, nós não encontramos as crianças. Vamos redirecionar os trabalhos, dando foco às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento, incluindo o Exército Brasileiro”, acrescentou o secretário.

Para ampliar o alcance das buscas também foi acionado o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil. O sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. “Esse programa é essencial para aumentar o alcance da busca”, explicou o secretário.

Depoimento do primo ajuda nas buscas

Com autorização da Justiça do Maranhão, o menino de 8 anos, encontrado após três dias perdido na mata, passou a acompanhar as buscas pelos primos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos desde 4 de janeiro no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.

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O menino recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após 14 dias internado. No mesmo dia, ele acompanhou as equipes nas buscas pelas crianças. Acompanhado por policiais e por uma equipe da rede de proteção à infância, ele indicou os últimos caminhos que percorreu com os primos até o momento em que foi encontrado por carroceiros, no dia 7.

Pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado.

Segundo ele, a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai. Para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata. A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. O menino afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.

Uma rede de proteção foi criada para manter o menino afastado de qualquer tipo de assédio ou exposição. Ele seguirá recebendo acompanhamento psicológico contínuo.

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‘Casa caída’ e a separação

Segundo o menino, a estrutura estava tão destruída que não dava para permanecer dentro. A informação foi confirmada pela investigação e pelo rastreamento feito com cães farejadores.

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Uma das principais pistas dadas pelo menino à equipe foi a existência de uma casa abandonada no trajeto. Ele descreveu o local como “uma casa caída”, com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho.

“Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu”, afirma Mauricio Martins, secretário de Estado de Segurança/MA.

O menino contou que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa. Segundo o relato, foi ali que ocorreu a separação: ele seguiu por um lado, enquanto as outras duas crianças foram pelo outro.

Como é a ‘casa caída’ onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram — Foto: Corpo de Bombeiros do Maranhão

“Ele não fala se ele seguiu para procurar ajuda ou para tentar voltar ao ponto inicial. As duas outras crianças já estavam extenuadas e ele resolveu seguir”, afirma Ederson Martins, delegado de polícia.

Força-tarefa percorreu mais de 200 km

Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações.

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Desde o desaparecimento, buscas em áreas de mata e no rio Mearim ocorreram paralelamente à investigação, conduzida por uma comissão especial de segurança.

O inquérito já ultrapassa 200 páginas e conta com apoio de um sistema nacional que permite acesso a bancos de dados de outros estados.

O caso também segue protocolo de desaparecimento, com divulgação de informações e imagens em redes sociais para ampliar o alcance das buscas.