
O início de um novo ano costuma vir acompanhado de boas intenções — e também de despesas concentradas. IPVA, IPTU, material escolar, matrícula, faturas acumuladas do fim de ano e reajustes de preços costumam pressionar o orçamento logo nos primeiros meses. Para 2026, o desafio é ainda maior em um cenário de juros elevados, custo de vida pressionado e maior rigor na fiscalização financeira.
Segundo o contador e educador financeiro André Charone, autor do livro A Verdade sobre o Dinheiro, começar o ano com organização financeira é mais importante do que buscar soluções milagrosas. “O erro mais comum é achar que o problema está apenas na renda. Na maioria das vezes, o problema está na falta de planejamento e de controle”, explica.
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1. Faça um “check-up” financeiro antes de gastar
O primeiro passo para começar bem 2026 é simples, mas negligenciado: saber exatamente quanto se ganha, quanto se gasta e para onde o dinheiro está indo. Listar todas as despesas fixas (aluguel, escola, plano de saúde, internet) e variáveis (lazer, delivery, compras por impulso) permite enxergar excessos e ajustar prioridades.
“Quem não mede, não controla. E quem não controla, perde dinheiro sem perceber”, destaca Charone.
2. Antecipe as despesas do início do ano
Janeiro não é mês de surpresa, as despesas já são conhecidas. IPVA, IPTU, material escolar e seguros devem ser planejados com antecedência. Sempre que possível, vale avaliar descontos para pagamento à vista ou parcelamentos que não comprometam o fluxo de caixa mensal.
A dica do especialista é clara: “Parcelar não é problema; o problema é parcelar sem saber se caberá no orçamento dos próximos meses”.
3. Crie (ou reforce) sua reserva de emergência
Ter uma reserva financeira equivalente a pelo menos três a seis meses do custo de vida é uma das bases da saúde financeira. Esse valor deve estar aplicado em investimentos de alta liquidez e baixo risco, como Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária.
“Reserva de emergência não é investimento para ganhar dinheiro. É um seguro contra imprevistos”, explica Charone.
4. Use o crédito com estratégia, não como muleta
Cartão de crédito, cheque especial e empréstimos não são vilões, mas exigem cautela. O educador financeiro alerta que o crédito deve ser usado de forma estratégica, nunca para cobrir desequilíbrios recorrentes do orçamento.
Se a fatura do cartão já começa o ano alta, o ideal é rever hábitos de consumo imediatamente. “Juros não perdoam falta de planejamento”, afirma.
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5. Defina metas financeiras realistas para 2026
Mais importante do que prometer “guardar dinheiro” é definir metas claras: quitar dívidas, montar reserva, investir mensalmente ou organizar a vida financeira da família. Metas genéricas tendem a ser abandonadas rapidamente.
“Educação financeira não é sobre cortar tudo, mas sobre gastar melhor”, resume Charone.
Organização é a verdadeira virada de ano
Para André Charone, começar 2026 bem financeiramente não exige fórmulas complexas, mas disciplina, informação e constância. “Quem organiza o dinheiro organiza a vida. E isso faz diferença o ano inteiro, não só em janeiro.”
Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, planejamento financeiro deixou de ser luxo e passou a ser necessidade. E quanto antes ele começar, melhor.