Estudante de Serra Talhada, filha de agricultores, é aprovada em Medicina
Foto: Arquivo Pessoal

A Universidade Federal de Pernambuco está em diálogo com a Câmara dos Deputados para aprovar e conseguir ofertar, um curso superior de medicina, exclusivo para a população sem-terra e quilombola. Esta política pública tem como objetivo garantir também ao grupo, o acesso a educação superior, por isso, o processo encontra-se em tramitação.

Em Serra Talhada, uma estudante da EREMEF Solidônio Leite foi aprovada em Medicina pelo Programa Nacional de Educação para Áreas de Reforma Agrária (Pronera) na Universidade Federal de Pernambuco – Centro Acadêmico do Agreste (UFPE-CCA) em Caruaru.

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Jamilly de Souza Melquiades, 20 anos, é natural de Recife, mas reside atualmente em Serra Talhada, com seus pais, os agricultores, Maria de Jesus Pereira de Souza Nascimento, de 51 anos, e José Inaldo Siqueira Nascimento, de 60 anos, que juntos, criaram seus sete filhos. Há cerca de dez meses, a jovem trabalha como mediadora escolar, auxiliando alunos com deficiência em seus aprendizados, na realização de tarfeas e também adaptação de material pedagógico.

Durante sua trajetória estudantil, Jamily passou pelas escolas Municipal Maria Alves Bezerra, Escola Municipal Raimundo Gomes de Barros e EREM Solidônio Leite, esta em Serra Talhada, onde concluiu o ensino médio no ano de 2022.

Em contato com a reportagem do Farol de Notícias nesta semana, ela contou que sempre gostou de estudar e que suas disciplinas preferidas eram Matemática e Física e com alegria, relembra alguns momentos felizes, dificuldades que vivenciou durante sua formação na educação básica e ressalta a importância de seus professores neste processo:

“Além de todos os momentos de aprendizado, também lembro de todas as amizades que construí durante todos esses anos de estudos, com certeza foi a conquista mais valiosa. Mas falando de um momento específico, tenho uma recordação muito especial de um abraço coletivo que recebi da minha turma em uma dinâmica que elaborei. A ansiedade pré-testes ou avaliação. Esses momentos me causavam muita angústia e crises, mas, graças a meus professores, hoje eu consigo me relacionar bem com minha ansiedade. Gostaria até de homenagear os meus professores: Amauri Leão, Penha Lima, Janailson Vanderlei e Luciano Nóbrega por me ajudarem e me auxiliarem sempre nesses momentos de medo e tensão com tanto amor e companheirismo”, explicou.

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Quando questionada sobre a motivação pela escolha do curso de Medicina, a jovem afirmou que sempre percebeu possuir vocação para trabalhar com a ciência e também, em contato com as pesssoas. Além disso, ela explicou como foi o processo seletivo que participou para conseguir alcançar este objetivo e como recebeu a notícia de sua tão aguardada aprovação:

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“Sempre senti que minha vocação estaria atrelada a ciência e ao contato com pessoas. A medicina, pra mim, supre esses pontos quando me dá a oportunidade de cuidar das pessoas e trabalhar amparada à ciência. Foi um processo muito sério, que necessitava de uma robusta documentação para que homologasse a inscrição. No final, deu tudo certo. Fui fazer a prova na própria UFPE, contive toda a ansiedade e realizei a prova discursiva com muito cuidado. Ao final, mesmo sem saber se daria certo ou não, já sentia muita gratidão em participar desse processo tão importante. Foi um momento muito único e feliz ser aprovada, mas quando vi tinha sido na primeira colocação a emoção dobrou ainda mais. O programa para mim, significa luta e resistência. Um programa com significado muito humano e que oferece a concretização de sonhos aos assentados e moradores do campo (que foi meu caso, faço parte do Assentamento Virgulino Ferreira), cadastrados e beneficiários do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), comunidades indígenas, quilombolas e etc”, descreveu Jamilly.

A notícia da aprovação também foi recebida com muita alegria pelos familiares da jovem, que agora pretende se mudar para Caruaru, onde cursará sua graduação. Bastante otimista, ela compartilha os próximos passos, em busca da concretização do sonho:

“A notícia da aprovação foi recebida com muito orgulho e emoção, o sonho era coletivo; todos torciam/torcem por mim. Agarrar essa oportunidade com unhas e dentes para me tornar uma profissional diferenciada, competente e humana. Meu propósito é cuidar das comunidades rurais e que precisam de atendimento e atenção básica que muitas vezes não recebem a atenção necessária, principalmente realizar meu sonho de atender na comunidade que cresci (Barragem de Serrinha, Poço da Cerca). Mas em questão da especialidade em si, eu sempre admirei Medicina da Família e Comunidade ou Psiquiatria, são área que eu acredito que falte profissionais humanos”, finalizou.