Fotos: Max Rodrigues/Farol de Notícias

Publicado às 14h23 desta quinta-feira (21)

Com os olhos marejando e com o coração totalmente voltado para a devoção a Nossa Senhora do Rosário, Alfredo Souza Rodrigues, o popular Dedinha Inácio, 37 anos, conversou com a reportagem do FAROL nessa quinta-feira (21) sobre a 167ª Festa de Nossa Senhora do Rosário de 22 a 31 de outubro e sobre sua história com a padroeira dos negros. A abertura ocorrerá em frente da residência de Dedinha, na Travessa Olavo de Andrada, nº 517, Centro, nessa sexta-feira (22) às 18h com um momento de oração e participação da cantora Lila, seguido do hasteamento da bandeira. Às 19h a Santa Missa será celebrada pelo Pe. Erinaldo Moraes.

O ex-vereador Dedinha Inácio foi escolhido pelos juízes da festa, o padre e aprovado pela comunidade para ser o Guardião da Bandeira da edição desse ano, motivo de muita honra e privilégio para o fiel porque Nossa Senhora do Rosário é parte de sua história de vida. Esse é o seu segundo ano como Guardião, o primeiro foi quando o Pe. Miguel assumiu a paróquia.

INFÂNCIA E FÉ INABALÁVEL

O devoto iniciou A sua história de fé aos 5 anos através de Dona Nesta, uma distinta senhora, devota fervorosa da padroeira que morava em frente da caSa de Dedinha. Foi lá, na Igrejinha do Rosário, como carinhosamente ele chama, no mês de outubro aprendeu a rezar, graças a Dona Nesta que o levava, e ensinou com um terço grande de madeira. Lá se batizou, fez a primeira comunhão, crisma e construiu uma devoção e fé inabalável.

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‘’Eu sinto muita falta do mês de outubro de antigamente. Sempre na última noite eu faço uma homenagem aos devotos mais antigos, costumo dizer que são os baluartes da Igrejinha do Rosário porque existia uma devoção muito linda de amor e carinho por Nossa Senhora do Rosário e nós da comunidade temos esse carinho porque crescemos vendo essas pessoas assim. Era uma devoção de pureza que não tem nem explicação’’ relembro Dedinha, continuando:

‘’Durante esses 32 anos que acompanho a festa,  só não participei dois anos porque me distanciaram, mas da minha casa eu prestava minha homenagem, não estava lá fisicamente, mas preparava meu altar, rezava e nunca distancie meu coração dela nem deixei de dizer: sou da Igrejinha do Rosário porque eu sou de coração. Mesmo na época que fui político, nunca deixei minha fé, a minha fé é inabalável eu tenho certeza que é o que me segura de pé. Mesmo nas quedas da gente tem que ter fé, segurar na mão da mãe de Jesus, nossa intercessora.’’

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MILAGRE E GRATIDÃO

Dedinha revelou ao FAROL que Nossa Senhora do Rosário já socorreu a comunidade em momentos muito difíceis, quando se uniram em correntes de orações e foram atendidos e também guarda muitas recordações com histórias de milagres marcantes dos fieis mais velhos. Mas o que mais lhe emocionou foi uma situação de sequestro de uma criança de 10 anos que morava ao lado da igreja e também enxerga como milagre o fato de ninguém da sua família ter contraído a Covid-19.

‘’O sequestro durou 24 horas e todo mundo começou rezar pedindo por ele. Eu me ajoelhei e pedi de joelho a Nossa Senhora do Rosário que trouxesse o menino de volta e mais tarde os sequestradores deixaram ele lá no Jazido. Ele chegou de pé, quando a gente viu, todo mundo saiu correndo para abraça-lo. Eu corri para a igreja para bater o sino, foi uma coisa muito emocionante e marcante para mim porque presenciei tudo’’, relatou em lágrimas.

‘’Também foi um milagre e eu não poderia deixar de agradecer porque, nesses tempos de pandemia, ninguém da minha família teve Covid-19. Não podia deixar de falar dessa intercessão de Nossa Senhora do Rosário agradecemos a Deus todo-poderoso porque não perdi ninguém da família, nem ninguém pegou. Feliz é aquele que não pegou, agradeço muito a Deus.’’

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NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS

A Igreja do Rosário foi construída por negros escravizados entre 1789 e 1790 e foi rebatizada pelo ex-prefeito Luciano Duque em homenagem à memória dos negros que a ergueram há centenas de anos no Dia da Consciência Negra, em 2015. Desde então, passou a ser chamar Matriz de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Diante desses fatos relacionados a importância dos negros na história da igreja, Dedinha Inácio comentou como eram as celebrações antes e o que foi se perdendo com o tempo.

‘’Há anos, existia uma noite dedicada aos negros, ouvia muito os baluartes da igreja falar dessa noite dedicada a eles, mas com o passar do tempo não teve mais. Ela é padroeira da nossa paróquia, mas tem sua história e seu título de ser Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Teve anos fizemos uma homenagem e eu queria que isso fosse resgatado, mas hoje as pessoas interpretam tudo de outra maneira. Podem achar que está discriminando, mas não, não é discriminação, deveria voltar porque o espaço é para todos. Nos 50 anos da paróquia, há 5 anos, nós arrumamos amigos negros e fizemos uma homenagem linda na igrejinha e foi muito lindo a encenação que fizeram’’, concluiu.