
Uma pessoa que é funcionária do Hospital Eduardo Campos (HEC) procurou a redação do Farol de Notícias para denunciar uma série de episódios de maus-tratos e abusos psicológicos que, segundo ela, vêm ocorrendo há algum tempo dentro da unidade. Por questões de segurança, a denunciante optou por não ter a identidade revelada.
De acordo com o relato, as situações não se restringem a um caso isolado. A funcionária afirma que outros servidores e ex-funcionários também teriam sido alvo das mesmas práticas, chegando a mais de 20 possíveis vítimas. Confira abaixo o depoimento na íntegra.
“Venho através deste apelo atualizar a situação do pessoal da higienização do Hospital Eduardo Campos. Os maus-tratos que muitos vem sofrendo e os que ainda sofrem mesmo depois de serem demitidos nas mãos da supervisora. Ele que com um pouco mais de 1 ano de supervisão já demitiu umas 10 pessoas, e fez outras pedirem demissão por pressão psicológica. Além de umas 20 pessoas doentes com ansiedade e depressão que estão afastadas, e outras que mesmo com a situação ainda estão trabalhando nos últimos limites porque cada lá sabe suas necessidades e não tem a quem recorrer!
Receba as manchetes do Farol primeiro no canal do WhatsApp (faça parte)
A depressão está fazendo morada no ambiente, e só quem sofre mais essa pressão é a higienização, porque? Porque lá somos tratados como ninguém, apenas lambe-chão. A depressão que a supervisora chama de “modinha”. E ainda são capazes de fazer palestra sobre o assunto, se nem eles sabem o que é amor ao próximo.
Ela grita com os funcionários, faz deboche e bullying. Todos sabem a situação lá, mas por medo e por precisar do trabalho, tem medo de se posicionar. Mas garanto que muitos ainda tem coragem, e os que virem essa mensagem vão carregar na consciência de serem cúmplices da maldade que lá dentro estão fazendo com esses seres.
Só pra relembrar o caso de um funcionário que foi jogado de setor e trocado de horário para usar como desculpa que não estava mais cumprindo com o dever, que é isso que ela faz para arrumar desculpa, mas ninguém viu quando ele foi jogado na área externa, que é trabalho para 3 e ele fazia sozinho como castigo.
Outra funcionária, uma menina doce que nunca ofendeu a ninguém, pressionada pediu demissão, e sofre com depressão.
Outra pediu demissão com a pressão e bullying, todos da higienização são cientes que a supervisora apelidava ela de gorda preguiçosa e “Pepa Pig”.
Uma outra menina trabalhadeira, e que todos já gostávamos, foi demitida porque a supervisora não foi com a cara da menina, só porque ela não aceitava as coisas erradas e que ela fazia.
Também teve o caso uma colaboradora que ficou internada em estado grave na ala vermelha, e nunca foi nem visitada pela supervisora que está de segunda a sexta no hospital. Isso já mostra a humanidade dela! A moça hoje está suspensa por tempo indeterminado da empresa com vários sintomas de doenças.
Eles falam tanto em serem certos, que andam na lei e etc. Que lei é essa que obriga seus funcionários a ficarem em horário que prejudica seus familiares e crianças? Como é o caso de duas mães lá que deixam os filhos sozinhos em casa da hora que saem para trabalhar, até chegar em casa.
Que não pagam os 40% de insalubridade, que já foi aprovado em todo canto e lá não porque? Não dão vale transporte, o qual muitos vem de outra cidade e pagam do próprio bolso, chegando a R$ 600 para conseguirem trabalhar, e outras arriscam a vida pegando carona, ou é mentira? Quem passa naquele trecho de manhã e a noite vê muitas mulheres nessa situação de risco enorme! Cadê a lei?”.
Os fatos de Serra Talhada e região no Instagram do Farol de Notícias (siga-nos)
O que diz o HEC?
A reportagem do Farol de Notícias questionou o Hospital Eduardo Campos a respeito da denúncia. Em nota, o HEC afirmou que mantém compromisso com a ética e o respeito, que não compactua com práticas de assédio moral ou abuso psicológico e informou que, até o momento, não há registros formais de denúncias sobre as alegações citadas nos canais oficiais da unidade.
NOTA OFICIAL | HOSPITAL EDUARDO CAMPOS (HEC)
“O Hospital Eduardo Campos (HEC) informa que mantém compromisso permanente com a ética, o respeito e a legalidade, não compactuando com qualquer prática de assédio moral e/ou abuso psicológico.
A unidade dispõe de canais formais e oficiais de comunicação e denúncia, amplamente divulgados aos colaboradores, além de realizar reuniões periódicas com participação da direção administrativa. A unidade conta com Programa de Integridade ativo, reforçado por ações contínuas de educação permanente, com apoio de uma CIPA atuante, orientando os colaboradores quanto aos canais adequados para registro de manifestações. Até o momento, não há registros formais no canal de denúncias do Programa de Integridade relacionadas às alegações apontadas”.
2 comentários em Funcionário denuncia série de maus-tratos no Hospital Eduardo Campos