
A Fundação Cultural Cabras de Lampião (FCCL) tem sido alvo de perseguição do governo Márcia Conrado (PT). A afirmação é da presidente da instituição, Cleonice Maria, que buscou a redação do Farol, nesta segunda-feira (12), e fez um relato dramático do fato.
A fundação encontra-se em fase de elaboração de projetos para o PNAB- Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura- e umas das propostas em elaboração é o ‘Minha Escola no Museu’, que busca utilizar alguns equipamentos do município, inclusive praças, fazendo um resgate da história de Serra Talhada com os estudantes.
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O QUE ACONTECEU
O problema e o entrave ocorreu, segundo Cleonice Maria, quando foi solicitado declarações ao governo municipal, autorizando os espaços. “O presidente da Casa da Cutura, Josenildo André, disse que tem que haver uma autorização do jurídico da prefeitura, assinando um termo, aceitando que tem que haver a divulgação da prefeitura. Mas até aí, tudo bem, mas as praças são públicas, nunca ouvi falar isso. Pedi o termo para gente ler e assinar, se for o caso. Mas até agora nada”, disse a presidente da fundação.
POSTURA DO TURISMO
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo também foi acionada, mas o secretário, Elysando Nogueira, jogou o despacho para Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA).
“Só que aí a resposta do secretário foi para mim um desaforo, foi imoral, porque ele disse que quem poderia dar essa declaração era a AMMA. Até onde eu sei, a AMMA é um equipamento de fiscalização dessa questão do meio ambiente aqui em Serra Talhada. Então, como é que você, um secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, você manda ir para a AMMA? O que é que a AMMA tem a ver com a gente estar com os alunos visitando as praças de Serra Talhada? O que é que o meio ambiente tem a ver com isso? Isso é uma função e uma obrigação do turismo. É o turismo quem tem que dar essa declaração”, desabafou, acrescentando:
“Então, a gente entende isso daí, esse jogo de empurra-empurra, essa falta de respeito ao nosso trabalho, a gente entende isso, infelizmente, como uma perseguição política. Isso é uma perseguição ao trabalho que a Fundação Cultural Cabras de Lampião realiza em Serra Talhada. É como se não quisessem que a gente desenvolvesse as nossas ações culturais aqui no município. E a gente não pode simplesmente aceitar isso, e eu quero fazer essa denúncia com o Farol, chamando a atenção da população de Serra Talhada para nos apoiar.
APOIO POPULAR
“Nós precisamos do apoio do povo de Serra Talhada, porque o povo de Serra Talhada é quem nos respalda. As pessoas de Serra Talhada, elas sabem da luta dos Cabras de Lampião para manter a cultura de Serra Talhada em evidência, para manter a cultura de Serra Talhada existindo, para manter a cultura de Serra Talhada tendo visibilidade”.
“Foi a Fundação Cultural Cabras de Lampião quem conseguiu trazer para a Serra Talhada Paulo Vieira, com aquele programa da Rede Globo que ainda hoje está reverberando na GNT, que saiu em TV aberta na Rede Globo. Fomos nós quem conseguimos fazer isso, trazer e dar visibilidade ao município”, reforçou.
PREFEITURA NÃO ESTIMULA
Ainda durante a entrevista, Cleonice Maria fez relatos e deu detalhes de vários projetos que vêm sendo desenvolvidos em Serra Talhada, atraindo turistas, e ajudando na formação das crianças, mas que a gestão Márcia Conrado só deseja o pior, porque além de não ajudar, agora pretende atrapalhar.
“Então, essas coisas deixam você desestimulado. Se eu não tenho um apoio no meu município, se eu desenvolvo um trabalho aqui, a gente realiza aqui o Encontro Nordestino de Xaxado, que foi uma grande falta de respeito, e aí eu vou agora reforçar para dizer, da gestão municipal não aparecer no evento, um evento de cinco dias com quatro países na cidade, mais de 70 estrangeiros que vieram para cá, certo?”, questionou, reforçando:
“Então, eu estou falando, assim, muito indignada, emocionada, porque eu acho uma grande falta de respeito do poder público municipal, desse tratamento que eles estão dando à Fundação Cultural Cabras de Lampião. Eles querem inviabilizar o nosso trabalho aqui na cidade. Eles querem fazer com que a gente deixe de existir. A intenção dessa gestão é fazer com que a Fundação Cultural Cabras de Lampião seja extinta do município. Só que nós não vamos permitir. Nós vamos continuar resistindo. Nós vamos continuar insistindo. E nós vamos continuar fazendo com que Serra Talhada tenha visibilidade no mundo inteiro”.
VERGONHA NA CARA
“E eu exijo, eu exijo respeito dessa gestão com a Fundação Cultural Cabras de Lampião. Que essa gestão devia ter a vergonha na cara, ter vergonha de ter uma entidade como a nossa, que faz o que a gente faz, que leva o nome de Serra Talhada para os quatro cantos do mundo e que não tenha a humildade de reconhecer o grande trabalho de divulgação que a gente faz pelo mundo”.
‘Isso deixa a gente muito indignado, isso deixa a gente muito triste. Não adianta ficar nas redes sociais mostrando o mundo irreal. Vamos para a realidade e mostrar o que é que Serra Talhada está fazendo culturalmente. O que é que essa gestão está fazendo culturalmente? O que é que tem de cultura em Serra Talhada feita pela gestão?”
APELO
“Pelo amor de Deus, eu não posso me calar diante disso. Eu realmente estou muito indignada e muito chateada. Porque até para ir buscar recurso fora para trazer para cá, a gestão está bloqueando esse direito da gente. Por favor, já que não ajuda, não atrapalha.”.
“Você fazer um trabalho de trazer pessoas de várias cidades do Brasil para virem assistir o Massacre de Angico, cinco dias de estação lotada. Eu estou inventando isso? Isso é uma coisa real, que todo mundo tem presenciado. A gente não tem um tostão, um apoio da Prefeitura. A gente não tem um reconhecimento. As nossas ações não entram nas redes sociais da Prefeitura. É como se a gente não existisse. Por favor. É um apelo que eu estou fazendo.
Eu quero que essas pessoas saibam que não é, de forma alguma, nenhuma questão pessoal com ninguém. A nossa discordância é isso. Eu estou só provando por que eles dão esse tratamento a gente. Eu estou só provando que o que eu tenho dito, o que eu venho denunciando, é verdade.
O que é que se diz numa situação dessas? Isso é ou não é perseguição? Agora, por que, eu não sei. Eu não sou candidata a nada. O Domar (ex-secretário de Cultura) não é candidato a nada. O pessoal daqui da fundação não é candidato a nada. Eu não sei por que essa perseguição”.
MÁRCIA E O ÓDIO
“Que ódio é esse, Márcia Conrado, da Fundação Cultural Cabras de Lampião? Tenha amor no seu coração, tenha a humildade, mulher. É um negócio absurdo. O que é que a gente está fazendo contra você para merecer esse tratamento?
Pelo contrário, a gente tem levantado sua gestão culturalmente, porque a partir do momento que a gente sai daqui para qualquer lugar, com o nosso espetáculo, com o nosso trabalho, quando a gente traz a imprensa para cá, quando a gente traz grandes nomes, grandes artistas aqui para a Serra Talhada, a gente traz essas pessoas, a gente leva esse nome, é divulgando o município que você é gestora.
Então, onde é que a gente está falhando com você? Faça um exame de consciência e veja se está correto isso que você está fazendo e a orientação que você está dando ao seu secretariado.
É esse desabafo que eu queria fazer. Estou muito chateada, estou indignada, porque eu acho que a gente da Fundação Cultural Cabras de Lampião não merece passar por esse tratamento de humilhação da gestão municipal”, concluiu Cleonice Maria.
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O OUTRO LADO
A reportagem do Farol entrou em contato com os secretários Josenildo André (CULTURA) e Elysandro Nogueira (TURISMO), mas até o fechamento deste post não obteve respostas.
13 comentários em Fundação Cabras de Lampião diz que sofre perseguição do governo Márcia