Direção do Hospam ratifica que havia hematoma na cabeça de Laura
Yale Fernanda e a filha Laura Thallyta no Hospam – Foto: Reprodução / Vídeo Instagram @culturafm929

O caso da bebê Laura Thallyta, de 1 ano e dois meses, que morreu na madrugada da última terça-feira (6) dentro de uma ambulância a caminho de Recife segue causando dor à família e consternação à população de Serra Talhada. A reportagem do Farol de Notícias conversou com a diretora do Hospam, Ákila Monique, nesta sexta-feira (9), sobre o caso.

A família levou a criança para a emergência pediátrica do Hospam com a queixa de que ela havia ingerido dois comprimidos de uma medicação da mãe, Yale Fernanda. Segundo a gestão do hospital serra-talhadense, o relato corrobora com toda a narrativa feita pela genitora sobre os detalhes do atendimento.

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Com o detalhe que a equipe médica do Hospam identificou um hematoma na cabeça e por isso soliciou a transferência para Recife, onde faria tomografia e passaria por um neuropediatra. Segundo Ákila, os medicamentos para sedar a criança em meio a viagem não poderiam ter causado nenhuma intercorrência que levasse a morte da bebê Laura. Leia a nota na íntegra:

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Foto: Licca Lima/Farol de Notícias

NOTA DA DIREÇÃO DO HOSPAM

“Ela (criança) deu entrada aqui no serviço nos braços da mãe. Estava bem sonolenta, e a mãe veio com o relato de que ela tinha ingerido dois comprimidos de biperideno, que é um comprimido que a mãe faz uso controlado. E aí, imediatamente foi direcionada para a sala vermelha e foi monitorizada. Só que ela não estava apresentando dessaturação, nem bradicardia, estava tudo normal com ela, apenas sonolência.

Depois que fizeram o acesso, aí ela acordou e ficou chorosa. A médica ligou para o Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica) para pedir orientação sobre a ingestão da medicação, mas o Ceatox apenas orientou a fazer a hidratação, os exames laboratoriais e as medicações para os sintomas da criança. Nisso, ela ficou em observação e também não foi indicado fazer a lavagem gástrica.

Só que quando foram relatados os sinais que a criança apresentava, o Ceatox disse que não tinha sinais de que ela realmente tinha ingerido essa medicação, porque os sintomas que ela apresentava não eram indicativos desse tipo de medicamento. Um tempo depois a paciente evoluiu com um rebaixamento (diminuição do nível de consciência), ela começou a apresentar hipossaturação (baixa concentração de oxigênio no sangue), precisando ser entubada.

Foto: Lais Gomes / Farol de Notícias

Os pais foram orientados, a médica explicou bem direitinho a eles como seria o procedimento, só que os pais não relataram que a paciente havia sofrido uma queda, a médica foi quem percebeu um hematoma na cabeça da criança. Apenas depois que a médica percebeu esse hematoma foi que a mãe relatou que a criança havia sofrido uma queda da própria altura. Mas, até então, o relato da mãe é que eles achavam que ela tinha tomado essa medicação. Ela (mãe) fez o mesmo relato para a assistente social, só que para a assistente social ela falou sobre essa provável queda da criança.

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As pessoas questionaram o motivo de estar indo para Recife, era preciso investigar um TCE (Traumatismo Cranioencefálico), consultar com um neuropediatra e fazer uma tomografia. Durante a transferência não tinha prescrição de nenhum tipo de medicação para a criança. A única coisa que estava em bomba era sedação. Aí, o que é que aconteceu? Perto de Arcoverde, a sedação da criança, porque criança é mais difícil de sedar, começou a ficar um pouquinho agitada. As bombas apresentaram um problema, mas não fazia diferença em relação a causar danos a paciente. Era apenas a sedação, não tinha outro tipo de medicação.

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E a médica em contato com a pediatra daqui também, foi feita a medicação em bolus (administração de uma dose concentrada de medicamento) para poder manter a sedação. Para ela não ficar agitada, porque a bomba tinha apresentado esse problema. Só que a criança perdeu o acesso. Para conseguir outro acesso, eles pararam no hospital de Arcoverde, a criança chegou bem, sem intercorrência nenhuma. Saturando bem, pressão normal, frequência cardíaca normal. Isso tem no relato dos médicos de Arcoverde.

Receberam a menina estável, mas dizer que ela estava bem não quer dizer que não era grave. Estava grave, porém estável hemodinamicamente. Não estava hiposaturando, a pressão estava normal, os batimentos cardíacos estavam normais. Bem significa que ela estava estável. Mas ela não rebaixou nada, ficou monitorizada o tempo todo dentro da ambulância até pouco mais de hora depois de ter chegado no hospital de Arcoverde. A criança estava bem, e isso está relatado na admissão da criança no hospital de lá. No entanto, após cerca de uma hora a menina sofreu o rebaixamento, infelizmente.”