
Do Metrópoles
Apesar do calor, muitas vezes encontramos os cachorros estirados ao sol mesmo nas horas mais quentes do dia. Pode parecer estranho mas, de acordo com especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a resposta está no instinto.
Nossos pets têm no comportamento uma forma de regulação térmica corporal. Quando estão com frio, eles não podem simplesmente vestir uma roupa ou um casaco para se esquentar. Assim, o jeito é conseguir o calor de forma natural, ficando parado no sol.
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A médica veterinária Kássia Vieira explica que em dias de vento ou de mais frio, os cães buscam qualquer fresta de luz para equilibrar a temperatura corporal.
“O instinto de buscar o sol e o calor é inato, pois os cães são descendentes de lobos e outros canídeos selvagens que viviam em regiões frias e utilizavam a exposição solar como forma de aquecimento. Esse comportamento, portanto, tem origem nos ancestrais”, diz a professora da Universidade Católica de Brasília (UCB).
O que também chama atenção é o fato de alguns deles buscarem o sol mesmo em dias quentes. Cães que são mais “experientes” já têm capacidade de perceber se estão superaquecendo, mas especialmente os filhotes, que ainda não afloraram essa habilidade, podem acabar procurando a luz solar sem necessidade.
Por outro lado, nem todas as raças são fãs do comportamento. “Cães com pelagem mais densa, como Husky Siberiano e São Bernardo, tendem a evitar o banho de sol”, afirma o veterinário Lucas Edel, da faculdade de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP).
Banho canino traz vantagens ao animal
Além de esquentar, o banho de sol canino também traz benefícios fisiológicos e emocionais aos cães. Quando exposto à luz solar, o cachorro passa por processo semelhante aos humanos: ocorre a liberação de serotonina e endorfinas, substâncias ligadas à sensação de conforto e bem-estar.
“É por isso que muitos cães parecem mais calmos e sonolentos quando estão expostos ao sol”, diz a médica-veterinária Bárbara Lopes, da clínica VetSmart, em Brasília.
Apesar da principal fonte de vitamina D dos cães ser a alimentação, uma pequena porção pode ser obtida através do descanso no sol. Outra vantagem está relacionada aos animais mais idosos ou que sofrem com problemas de articulação ou musculares.
“O calor ajuda a relaxar a musculatura e a aliviar tensões articulares, principalmente em cães idosos com problemas ortopédicos, promovendo conforto”, aponta a Bárbara.
Comportamento pode deixar de se tornar saudável
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A luz solar traz vários benefícios aos cães, mas pode se tornar prejudicial quando eles não percebem que estão com a temperatura corporal muito elevada. Caso você detecte o comportamento no seu pet, o ideal é limitar a exposição, evitando os horários mais quentes, e verificar se a superfície de contato com o cachorro não está com a temperatura muito alta.
Com raças braquicefálicas, de cabeça curta e larga e focinho achatado, como pugs, bulldogs e boxers, o cuidado deve ser redobrado. Em alguns casos de superaquecimento, eles podem até perder oxigenação e desmaiar.
“Como a troca de calor nos cães ocorre principalmente pela respiração, os braquicefálicos — que já apresentam limitações respiratórias — podem ter dificuldade em controlar a temperatura corporal durante exercícios em ambientes quentes. Nessas condições, o risco aumenta”, alerta Edel.
Segundo o especialista, sendo braquicefálica ou não, nenhuma raça tem restrição absoluta à exposição solar. O que normalmente diferencia é a pelagem: os com mais, evitam, e os com menos, tendem a gostar mais.