Moradores do Vanete Almeida falam sobre os primeiros dias no bairro
Fotos: Lais Gomes/Farol de Notícias

Na última sexta-feira (16), 902 famílias serra-talhadenses receberam suas casas no Residencial Vanete Almeida, após um longo período de espera pela obra idealizada pelo governo federal. No dia seguinte, uma casa já foi alvo de vandalismo e teve a porta arrombada.

Embora a maioria das residências ainda estejam aguardando a ligação da água e da energia, que acontece gradativamente, algumas famílias já se mudaram para o local, por diversos motivos, como ficar livre do aluguel, como também com receio de terem suas casas invadidas ou danificadas.

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Nesta segunda-feira (19), a reportagem do Farol de Notícias esteve no bairro e conversou com alguns moradores sobre como está sendo residir no local nestes primeiros dias.

De acordo com os moradores, desde o fim de semana, a Polícia Militar tem realizado rondas diárias no novo bairro, além disso, algumas pessoas já estão colocando grades em suas residências ou pensam em contratar o serviço de vigilância, com medo de terem suas residências danificadas. Apesar disso, a população se mostra contente e grata pela conquista da casa própria e finalmente conseguir sair do aluguel.

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O senhor Paulo César Alves, já tem água, mas ainda aguarda a ligação da energia elétrica em sua residência. Em relação a segurança, ele diz que caso tenha o serviço de voigilância, ele vai pagar para se sentir mais seguro e cobra das autoridades por segurança no local:

“Já teve alguns problemas aqui de arrombamento, o pessoal está reclamando que ainda não tem segurança. Aqui de frente arrombaram uma porta. Não sei como é que pode fazer isso. Os governos precisam tomar as atitudes e botarem o policiamento, para dar um giro por aí. Se tiver mesmo o pessoal aí, os guardas, eu pago”, pontuou.

Micherlane de Lima Nascimento, esteve em sua residência hoje para lavar e começar a se organizar para a mudança. Ela conta que pagava R$ 900 de aluguel e para evitar mais despesas, vai realizar a mudança mesmo estando sem energia ainda. Apesar disso, ela não esconde a alegria de ter conquistado sua casa própria:

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“Meus filhos grandes não vão vir, vão ficar lá por conta da distância para trabalhar. E a gente aqui, eu queria vir com energia, mas vou ter que vir sem energia. Não tem problema com a água não. Minha pior preocupação é a energia, porque eu acho que devia ter providenciado, já que tinha data para entregar, ter providenciado a energia. Porque muita gente quer vir. Vai ter que vir, porque tem esse negócio de vandalismo, aí vamos ter que vir mesmo sem energia. Eu fiquei sem dormir. Fiquei muito preocupada, inclusive, porque como é próximo aqui, eu fiquei muito preocupada mesmo. A gente está se organizando para ver se arruma alguém para poder a gente pagar do nosso bolso para poder fazer a segurança para ficar mais tranquila. Porque está, assim, muito difícil. A gente já demorou tanto tempo para receber nossa casa e vem as pessoas fazerem esse vandalismo”, explicou, continuando:

“É uma alegria, uma felicidade. Minha casa própria. Estou muito feliz. Muito mesmo. Agradeço a Deus todos os dias. Por tantos anos. Que, na verdade, eu não tinha mais nem esperança. E a esperança voltou de novo, no meu lar. Graças a Deus”, finalizou.

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Dona Maria de Lourde Conceição da Silva, chegou ontem no bairro e já trouxe sua mudança, apesar de estar também sem energia. Ela conta que esse período tem sido difícil por conta das altas temperaturas, mas também decidiu se mudar para sair do aluguel:

“Só está ruim assim por conta da energia, que é muita quentura, tem as crianças pequenas, tem esse menininho de nove meses. Aí o bichinho não aguenta dormir na quentura e muita muriçoca. Mas tirando isso, está tudo bem. E outra coisa, que eu só vim logo foi por conta daqui sem energia, porque meu aluguel venceu ontem. Aí se eu fosse ficar lá, passar uma semana, quinze dias, eu tinha que pagar. Aí eu digo, não, eu já estou com minha chave, já ganhei minha casinha, eu vou embora. Vou embora, seja o que Deus quiser, quem guarda a gente é Deus. Aí pronto, aí vim pra cá. Depois colocar a energia, aí pronto, aí fica melhor ainda. Só na pessoa sair do aluguel, está bom demais. Eu pagava R$ 250, pra quem recebe R$ 600, pesava. Eu nem fazia feira porque minha menina é quem me ajudava, uma no papel da água, outra na luz”,

Em relação a segurança, ela afirma ter visto a polícia realizando rondas no local e relata que até as crianças esstavam se sentindo inseguras:

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“Ontem eu vi, passou aqui três carros de polícia e dois carros de guarda. Ficaram até tarde aqui, fazendo ronda. Que a gente foi pegar no sono, meia noite, os meninos tudo com medo, por conta que não tinha energia, com medo de arrebentar as portas. Igual arrebentaram de uma ali em cima, aí os bichinhos tudo com medo, no escuro”, finalizou.

Dona Maria de Fátima Augustinho Ribeiro afirma que estava bastante ansiosa para receber seu imóvel e chegou bem cedinho no sábado com sua mudança

“De seis pra sete anos já tava aqui. Pra mim, eu tô bilionária. Com a casa própria. Eu pagava R$ 280 e ainda vinha água, era muita despesa. Ainda tem as crianças pra ajudar, tem os remédios também. Não sou aposentada ainda. Eu tô no céu, bem dizer, mesmo que não chegou água ainda, mas tá bom demais”, descreveu.

O senhor Antônio Ferreira Lima, contou que aguardava desde o início

“Eu estava guardando a casa desde o início do processo e estou muito agradecido mesmo. Você vê que foi um tempo bom de espera, já estive em São Paulo, já voltei, e graças a Deus tô com a casinha aqui, tranquilo, e bem à vontade, você vê, feliz mesmo da vida. Foi uma coisa que a gente esperava e chegou, na hora certa, pelo menos foi na hora certa, porque a minha idade já tá bem avançada, e pagar aluguel depois de 50 anos… porque você, além de pagar o aluguel, aí ia pagar água, luz, internet, aí vinha o estouro, pontuou, complementando:

“Agora não, vou tirar mais de 50% disso, vai sair do meu orçamento já. A energia logo, logo tá vindo, que eles tão começando lá da parte de baixo, segundo eles falam, daqui pra fevereiro, eles chegam aqui no final. Hoje, assim que eu cheguei aqui, que eu parei aqui, já passou as viaturas, agora passou duas motos da polícia, pelo menos fazendo a ronda, pra dar mais uma segurança pra nós, que nós não temos segurança em canto nenhum. Aí, como aqui tá quase ainda abandonado, não tem ninguém morando, acontece esse vandalismo, mas é assim mesmo”