
O Janeiro Branco é uma iniciativa nacional, vigente desde 2023, que visa promover a saúde mental e emocional para a população brasileira. É um convite para desacelerar, olhar para si, principalmente, no momento em que é comumente associado a criação de metas para o ano vigente ou reflexivo, diante de tudo que vivenciamos no ano anterior. Diante deste cenário, saber o momento de buscar ajuda profissional é essencial e pode prevenir o surgimento de transtornos como ansiedade e depressão, ou evitar seu agravamento.
Nesta semana, a reportagem do Farol de Notícias conversou com a psicóloga Andrielly Samara Leite, CRP 02/20523, que trouze impoortantes considerações sobre os cuidados com a saúde mental não apenas durante o mês de janeiro, mas também, durante todo o ano.
Psicóloga Andrielly Samara: Existem alguns sinais de alerta, principalmente aqueles que estão relacionados a mudanças atuais, que em situações que você vive no cotidiano, você não percebia antes e atualmente você percebe exaustão, a questão do humor também afeta muito e é um sinal de alerta, tanto na questão de irritabilidade, quanto de humor mais deprimido, de um humor mais irritado também. Então, esses fatores que antes eles não surgiam e hoje eles acabam surgindo muito mais, são um sinal de alerta, sinal de sensibilidade que a gente pode estar procurando entender melhor o que está acontecendo.
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Essas alterações podem ser repentinas e também podem ter um caráter de fases, quando alguns sintomas, alguns sinais, estão ligados a transtornos, eles vão ter aí um período de tempo que eles vão ser mais prevalentes, mas a questão da saúde mental e do adoecimento nem sempre vai estar relacionado a um transtorno específico. Pode ser que esteja relacionado a alguma exaustão que pode estar ligado a questões cotidianas, ao trabalho, pode estar relacionado também a algum ato que mudou, alguma mudança que você não se adaptou bem, alguma situação que você está vivenciando que você não está conseguindo lidar, e aí esses sinais eles são mais superficiais do que quando eles estão ligados a alguns transtornos, como os ansiosos e os depressivos.
Farol de Notícias: Os serra-talhadenses estão com a saúde mental em dia ou adoecidos?
Psicóloga Andrielly Samara: Eu percebo que existe uma preocupação maior com a saúde mental. Isso não é negativo, você se preocupar com a sua saúde mental, mas a gente percebe também que existe uma exaustão, um cansaço, uma preocupação. O excesso também de informações que a gente acaba recebendo, elas influenciam um pouco nisso, para a gente se observar mais ou para a gente, às vezes, até acabar introduzindo coisas na gente que não são necessariamente nossas. O público que eu atendo é um público infantil, então, quem percebe mais são os pais. Mas, no geral, o público que vem aí com a demanda intensa é o público de adolescentes, esse público mais jovem que acaba lidando com muitas demandas novas, tem várias pressões sociais. Não é ausente a outros públicos, como a infância, como adultos, como o idoso, mas esse público jovem é um público que, até nas estatísticas, a gente percebe uma maior intensificação nessas questões sociais e emocionais também.
Farol de Notícias: Hoje em dia em Serra Talhada, qual faixa etária ou grupo de pessoas têm procurado mais cuidar da saúde mental?
Psicóloga Andrielly Samara: No geral, eu acredito que a juventude seja um público que é mais adepto, até pela questão também da informação que traz esse lado positivo. Eu acredito que é um público que é mais aberto, é um público que percebe, é um público que também se influencia de maneira positiva, então, vai dar essa importância para esses cuidados. O acesso à informação acaba influenciando positivamente e eu não vejo um público tão fechado. Eu vejo um público mais aberto, mas, ainda assim, com muitas demandas.
Farol de Notícias: Há algum ou alguns hábitos que podemos adotar para melhorar nossa saúde mental? Quais?
Psicóloga Andrielly Samara: A saúde mental é ampla e ela precisa ter alguns fatores bem alimentados, bem estruturados. Então, muitas questões gerais do dia-a-dia, da garantia de acesso à informação, a serviço de saúde mental, é muito importante a gente ter onde buscar, ter onde procurar essas informações e o cuidado também, eu acredito que é um dos fatores principais, a oferta de serviços. Depois dessa oferta de serviços, a gente também pode contribuir positivamente, de maneira ativa, quando a gente insere alguns hábitos, como hábitos de rotina, questão de alimentação, ter cuidado com o horário do sono.
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Você perceber também os conteúdos que você acaba recebendo, porque isso pode parecer que não, mas influencia, sim, na questão das informações que a gente está rodeado, outros fatores também relacionados aos seus ciclos de convivência, as suas questões pessoais, você entender o que faz parte de você e o que não é tão funcional, porque, por exemplo, a gente pode ter, sim, um padrão mais tímido, mais retraído, e isso não ser um indicativo de um adoecimento mental, mas se isso é um fator que modificou, que não é seu, então aí você já percebe algumas alterações. Então, se conhecer e conhecer essas mudanças, elas fazem um papel importante aí nessa descoberta, nesse rastreio. Nós estamos no janeiro branco, que geralmente é um mês que dá uma maior visibilidade para a saúde mental, mas é importante manter esses cuidados durante todo o ano.
Farol de Notícias: O que podemos fazer para manter também esse cuidado durante todo o ano, não apenas em janeiro?
Psicóloga Andrielly Samara: Por mais que tenham campanhas que destaquem para isso, como o janeiro branco e outras campanhas ao longo do ano, o janeiro sugere esse início. Então, quando a gente vem de dezembro, a gente vem com uma análise do ano que passou, com alguns planos que, de repente, não deram certo, com algumas expectativas, metas que, às vezes, nós cumprimos, às vezes, não.
No janeiro, geralmente, a gente estabelece essas metas. Às vezes, a gente acaba estabelecendo metas que não estão 100% no nosso controle, aí vem uma frustração. Então, essas campanhas, elas são importantes para que elas liguem a um sinal de alerta e é um mês que é muito pertinente para o seu início do ano e o mês que as pessoas geralmente estabelecem metas, que sugerem um novo ciclo e o janeiro, ele vem para trazer esse sinal de alerta, porque, tanto as questões de cuidado, como as questões do adoecimento, elas estão muito presentes e prevalentes no nosso dia a dia.
Farol de Notícias: Os fatores sociais e a realidade que vivemos influenciam de alguma forma, na nossa saúde mental? Como?
Psicóloga Andrielly Samara: Sim, a saúde mental tem várias facetas, vários aspectos. Então, existem muitos fatores que acabam influenciando, como as questões relacionadas à questão de garantia de acesso, que a pessoa vai ter a informação, aos próprios serviços de saúde mental. Então, é importante também a gente se atentar a isso. Qual a oferta? Quais as possibilidades de acesso que essas pessoas vão ter? Quando a gente traz alguma informação e até as próprias dicas, elas precisam estar atreladas a outros fatores, que junto com essas dicas, junto com esses fatores de saúde mental, eles vão proporcionar aí uma garantia melhor dessa saúde, quando a gente tem acesso aos equipamentos, acesso a serviços de saúde mental, a um atendimento psicológico, a uma consulta psiquiátrica. Então, todos esses fatores, eles acabam influenciando, sim, na realidade da pessoa.
1 comentário em Psicóloga serra-talhadense fala dos alertas para uma boa saúde mental