
Com informações e fotos do Museu da Pessoa e Portal Geledés
Há poucos dias para a entrega das casas do Residencial Vanete Almeida, cerca de 902 famílias receberão as chaves das suas novas casas e não se fala de outro assunto em Serra Talhada. Os beneficiários finalmente receberão os imóveis após mais de 13 anos de obras e promessas, em uma cerimônia convocada pela Prefeitura de Serra Talhada, às 16h, desta sexta-feira (16).
Para além das disputas internas e políticas de quem é a responsabilidade de criação e finalização do projeto, e para a manutenção da memória e história da cidade, é importante relembrar quem foi Vanete Almeida, que dá nome ao novo bairro de casas populares criado a partir do Minha Casa Minha Vida, programa habitacional do governo federal.
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QUEM FOI VANETE ALMEIDA
A homenageada é um dos grandes nomes do Sertão Pernambucano, considerada por muitos como uma serra-talhadense que atuou a vida inteira em prol da luta pelos direitos das mulheres e da população do campo. Seu nome estampava os principais jornais do país e chegou a inspirar um livro: Ser Mulher num Mundo de Homens, de Cornélia Parisius.
Maria Vanete Almeida, nasceu no dia 21 de junho de 1943, no Sítio Cachoeira, zona rural de Custódia, mas morou grande parte de sua vida e contribuiu para o desenvolvimento político de Serra Talhada. Se tornou educadora popular nos anos de 1980, adotou seus dois filhos e construiu seu nome como um ícone feminino e feminista da cultura sertaneja.
Faleceu aos 69 anos, às 10 horas da manhã de um domingo, dia 9 de setembro de 2012. Estava internada no hospital Albert Sabin, em Recife. Netinha, como era mais conhecida pelos familiares, amigos e admiradores, foi vítima de câncer.
Na década de 1996 tornou-se coordenadora internacional da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe (Rede LAC), a qual foi uma das fundadoras. Foi ainda assessora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape).
Entre os anos de 1996 a 2003 fez parte do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). Em 2005, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Na época era presidenta do Centro de Educação Comunitária Rural (Cecor) em Serra Talhada.
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Vanete Almeida se autoafirmava como uma mulher negra e sertaneja. Em 2023 entrou para o rol dos imortais da Academia Serra-talhadense de Letras (ASL) e no auge de toda sua simplicidade, encontrou repouso e morada em Jatiúca, distrito do município de Santa Cruz da Baixa Verde.
Seu nome é lembrado e celebrado em toda a América Latina, além de também nomear a biblioteca da Universidade Federal Rural de Pernambuco – Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UFRPE/UAST), inaugurada em 2021.
Sua história e legado de “Guerreira da Paz” também devem ser lembrados no Residencial Vanete Almeida, assim como sua luta pelos direitos das mulheres e sertanejos. Independente de quem batizou, ou de quem irá inaugurar. Lembrem de Vanete Almeida. Não apenas no palanque neste dia 16 de janeiro de 2025.