
Do g1
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir “administrando” a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano “por muitos anos”.
Trump fez a declaração em uma entrevista ao jornal norte-americano “The New York Times” publicada nesta quinta-feira (8). Ele disse ainda que, por enquanto, o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, “está nos dando tudo o que consideramos necessário”.
“Só o tempo vai dizer”, disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar.
“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou Trump na entrevista.
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Ao ser questionado por que preferiu apoiar a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no lugar de incentivar que a oposição tomasse o poder no país, o presidente dos EUA negou responder.
Trump expulsa organizações
Na quarta-feira (7) uma proclamação retirando os Estados Unidos de 35 organizações não pertencentes às Nações Unidas e de 31 entidades da ONU.
Segundo um comunicado da Casa Branca, a saída dos organismos ocorre porque, segundo Washington, eles “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”.
A maioria dos alvos são agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em questões climáticas, trabalhistas e outras que o governo Trump classificou como voltadas para iniciativas de diversidade e “woke”.
Entre elas, estão: Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres); Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD); Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)
O governo Trump já havia suspendido o apoio a agências como a Organização Mundial da Saúde, a UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Refugiados da Palestina), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Cultura)
O republicano passou a adotar uma abordagem mais seletiva para o pagamento de suas contribuições à ONU, escolhendo quais operações e agências considera alinhadas à agenda de Trump e quais não servem mais aos interesses dos EUA.
“Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, disse Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group. “É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington.”
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Isso representa uma grande mudança em relação à forma como administrações anteriores — tanto republicanas quanto democratas — lidaram com a ONU, e forçou a organização, que já passava por sua própria reestruturação interna, a responder com uma série de cortes de pessoal e programas.
Muitas organizações não governamentais independentes — algumas que trabalham com as Nações Unidas — relataram o encerramento de diversos projetos em decorrência da decisão do governo americano, no ano passado, de cortar drasticamente a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), encerrada por Trump.