
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) lança luz sobre os efeitos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) na economia do Semiárido brasileiro. A pesquisa analisa o impacto socioeconômico de bilhões de reais aplicados nos setores de comércio e serviços, com foco especial na redução das desigualdades regionais.
O trabalho é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Economia Aplicada ao Semiárido (NEASA), da UAST/UFRPE, em Serra Talhada, e foi encomendado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A coordenação é do economista e professor Kleyton Siqueira, que lidera a equipe responsável pela análise dos dados.
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A partir do uso de metodologias estatísticas avançadas, os pesquisadores avaliam se o crédito operado pelo Banco do Nordeste (BNB) tem cumprido o papel constitucional de promover desenvolvimento regional. Os resultados do estudo devem subsidiar decisões estratégicas do Ministério do Desenvolvimento Regional e da própria Sudene, oferecendo indicadores sobre a eficácia, eficiência e efetividade da aplicação dos recursos públicos.
Além dos aspectos econômicos, a pesquisa investiga impactos sociais associados ao acesso ao crédito, como redução da criminalidade, melhoria nos níveis de escolaridade e queda da mortalidade evitável. O estudo também mensura o chamado efeito multiplicador do crédito, demonstrando como o financiamento impulsiona micro e pequenas empresas, amplia a geração de empregos e fortalece a renda das famílias, criando um ciclo de desenvolvimento que se reflete no bem-estar coletivo da região.
“Ao avaliarmos o impacto do FNE, percebemos que a força econômica do semiárido reside nas micro e pequenas empresas, que transformam o crédito em benefícios sociais diretos, como emprego e renda, de forma muito mais eficiente. Fornecemos a base científica para que esses recursos, de fato, combatam desigualdades, garantindo que o desenvolvimento regional seja humano e sustentável”, disse o professor Kleyton Siqueira
O levantamento também se debruça sobre a sustentabilidade do fundo, especialmente diante dos índices de inadimplência. Nesse ponto, os pesquisadores defendem a renegociação de dívidas como instrumento de proteção social, capaz de evitar o êxodo rural e preservar a dinâmica econômica local.
Com a entrega dos relatórios finais prevista para fevereiro de 2026, o estudo reforça o protagonismo da UFRPE no aprimoramento de políticas públicas nacionais voltadas ao desenvolvimento do Nordeste e do Semiárido brasileiro.