UAST lidera avaliação nacional de impacto do FNE no semiárido
Foto: Ilamar Antônio/Reprodução

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) lança luz sobre os efeitos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) na economia do Semiárido brasileiro. A pesquisa analisa o impacto socioeconômico de bilhões de reais aplicados nos setores de comércio e serviços, com foco especial na redução das desigualdades regionais.

O trabalho é desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Economia Aplicada ao Semiárido (NEASA), da UAST/UFRPE, em Serra Talhada, e foi encomendado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A coordenação é do economista e professor Kleyton Siqueira, que lidera a equipe responsável pela análise dos dados.

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A partir do uso de metodologias estatísticas avançadas, os pesquisadores avaliam se o crédito operado pelo Banco do Nordeste (BNB) tem cumprido o papel constitucional de promover desenvolvimento regional. Os resultados do estudo devem subsidiar decisões estratégicas do Ministério do Desenvolvimento Regional e da própria Sudene, oferecendo indicadores sobre a eficácia, eficiência e efetividade da aplicação dos recursos públicos.

Além dos aspectos econômicos, a pesquisa investiga impactos sociais associados ao acesso ao crédito, como redução da criminalidade, melhoria nos níveis de escolaridade e queda da mortalidade evitável. O estudo também mensura o chamado efeito multiplicador do crédito, demonstrando como o financiamento impulsiona micro e pequenas empresas, amplia a geração de empregos e fortalece a renda das famílias, criando um ciclo de desenvolvimento que se reflete no bem-estar coletivo da região.

“Ao avaliarmos o impacto do FNE, percebemos que a força econômica do semiárido reside nas micro e pequenas empresas, que transformam o crédito em benefícios sociais diretos, como emprego e renda, de forma muito mais eficiente. Fornecemos a base científica para que esses recursos, de fato, combatam desigualdades, garantindo que o desenvolvimento regional seja humano e sustentável”, disse o professor Kleyton Siqueira

O levantamento também se debruça sobre a sustentabilidade do fundo, especialmente diante dos índices de inadimplência. Nesse ponto, os pesquisadores defendem a renegociação de dívidas como instrumento de proteção social, capaz de evitar o êxodo rural e preservar a dinâmica econômica local.

Com a entrega dos relatórios finais prevista para fevereiro de 2026, o estudo reforça o protagonismo da UFRPE no aprimoramento de políticas públicas nacionais voltadas ao desenvolvimento do Nordeste e do Semiárido brasileiro.

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