
Após conquistar o Globo de Ouro 2026 como Melhor Ator em Filme de Drama, Wagner Moura destacou a importância do cinema brasileiro na preservação da memória histórica. Protagonista de O Agente Secreto, o ator reforçou que produções sobre a ditadura militar seguem atuais e necessárias para compreender o Brasil contemporâneo.
Durante entrevistas concedidas após a premiação, Wagner foi questionado sobre o interesse da indústria internacional por filmes nacionais que abordam o período autoritário, vivido entre 1964 e 1985. Ao responder, afirmou que o tema está longe de ser superado. “Temos que continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira”, declarou.
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Para o ator, os efeitos daquele regime não ficaram restritos ao passado. Ele afirmou que o país passou recentemente por um governo de extrema-direita, citando o período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve no poder. “Aconteceu há apenas 50 anos. De 2018 a 2022, tivemos um presidente de extrema-direita, fascista, no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”, disse.
Wagner Moura também ressaltou que O Agente Secreto dialoga com essa memória coletiva ao tratar de traumas que atravessam gerações. Ao subir ao palco para receber o prêmio, destacou o eixo central da narrativa. “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, afirmou.
Ambientado em 1977, o longa se passa em Pernambuco e acompanha a trajetória de um professor universitário que deixa São Paulo e se muda para o Recife em meio ao período ditatorial. Além do reconhecimento ao ator, o filme também venceu o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa.
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Ainda antes da cerimônia, na passagem pelo tapete vermelho, Wagner comentou que sua atuação artística está diretamente ligada ao posicionamento político que assume. “Sou uma pessoa muito política, penso politicamente, gosto de fazer filmes políticos. ‘O Agente Secreto’ é um deles. Seria estranho para mim trabalhar como artista político e depois me esquivar de dizer o que penso”, afirmou.
Em outro momento da coletiva, o ator avaliou o atual cenário do cinema nacional e relacionou o bom desempenho em premiações internacionais ao ambiente democrático. Segundo ele, o momento vivido pelo Brasil favorece a produção cultural. “Cultura e democracia andam juntas”, disse, ao afirmar que o destaque não se limita a um único filme, mas a uma geração de produções brasileiras que vêm ganhando espaço no exterior.