Por Paulo César Gomes, Professor, escritor, pesquisador da História de ST e colunista do Farol

As últimas decisões tomadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deixam sinais de que o judiciário brasileiro chegou ao seu limite e não vai querer ir a fundo nas punições aos políticos envolvidos em casos de corrupção. As decisões são políticas ao invés de jurídicas. O medo de alguns Ministros do STF é que todo esse processo leve a implosão do sistema político brasileiro, em um momento de extrema apatia social e que nada de concreto vislumbra no horizonte.

Até o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que não quer disputar um terceiro mandato, já pensa em aliviar as penas de alguns envolvidos com “Caixa 2” em campanhas eleitorais. O grande divisor de águas dessa história é a participação popular, que curiosamente anda enfraquecida. Já não se ver as bandeiras do Brasil em protestos contra a corrupção em ruas e avenidas do país, como aconteceu em junho de 2013 e no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

A impressão que fica é que os protestos tinham como objetivo único e exclusivo a tirada do PT do poder. Esse raciocínio só é possível em função do silêncio de alguns setores da sociedade diante das contundentes denúncias de corrupção envolvendo Michel Temer. Por outro lado, cresce, ainda que de forma tímida nas camadas mais populares, o discurso pró-Bolsonaro, o que na verdade é só mais um reflexo da política cíclica, onde certas ideologias, ou pensamentos políticos, ganham força quando um outro fica enfraquecido.

O interessante desse debate é a necessidade de ser “manter a ordem” e a “disciplina” justamente diante de uma nação que já nasceu com desejo de liberdade, que se descobriu através de seus valores, forjando assim a sua própria identidade.

Na verdade o discurso do deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ) já está superado, o artigo 5º da Constituição Federal já inibe o controle do Estado sobre a sociedade. E vale lembrar aos que se espelham no deputado carioca e na Ditadura Militar, que ambos não tinham e nem têm projeto de gestão, projeto de governo com foco no desenvolvimento econômico, social e cultural.

Os presidentes militares não tinham nenhuma noção de gerenciamento governamental. Por isso pagamos o preço caro pela incompetência ditatorial que nos levou a conviver durante décadas com uma das maiores dívidas externas do planeta.

Essa situação nos colocou em uma posição humilhante no velho e inesquecível terceiro mundo. O que precisamos é que a população se expresse, use a liberdade que nos é garantida para dar sinais do que almejamos para o futuro, pois a crise nas instituições atingiu o seu ápice. Qualquer saída para o Executivo, Legislativo e Judiciário passa por acordos e concessões, e isso não resolve a crise.

Apenas nos dar a garantia de que em breve teremos uma nova CPI do Collor ou dos Anões do Orçamento, um novo ‘mensalão’ ou ‘petrolão’. Que aparecerão pessoas do nível de PC Farias, Marcos Valério, Eduardo Cunha, etc. Como bem diz no parágrafo único, do art. 1º, da Constituição Federal, “Todo poder emana do povo”, então que o povo exerça esse poder com urgência para poder salvar o Brasil! Eleições Diretas Já!

Forte abraço e até a próxima!

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