Por Giovanni Filho, jornalista e editor do Farol

Publicado às 14h deste sábado (18)

O assassinato brutal de Márcia Daniele, 27 anos, pelo ex-marido Luiz Oliveira, 50, nessa sexta-feira(17) no bairro Vila Bela em Serra Talhada, revelou não só a dura face da opressão às mulheres em Serra Talhada, mas também a precariedade com que o Estado tem lidado com a política de segurança em Pernambuco.

Acompanhando a Polícia Civil no trabalho de investigar como Luiz Oliveira conseguiu driblar a segurança da PM para se deslocar até a casa da vítima e matá-la a golpes de faca peixeira, surgem algumas perguntas:

Por que o assassino foi escalado para trabalhar na reforma da cadeia local?

De acordo com investigadores que tivemos acesso, a maioria dos detentos que vêm trabalhando na reforma da cadeia de Serra, que está interditada devido uma rebelião ocorrida no mês de abril [relembre], são pedreiros que fazem parte do regime semi-aberto ou estão no final do cumprimento da pena.

Já o caso de Luiz Oliveira é controverso, porque ele estava preso desde maio, não tinha qualquer relaxamento de pena e nem prazo de soltura. Apuramos que os detentos cedidos para a reconstrução da cadeia estão dormindo nas próprias celas que eles mesmos estão reformando, sob a fiscalização de apenas dois PMs reformados.

“Ali é para ter pelo menos quatro policiais da ativa vigiando, os PMs que estão lá foram reaproveitados. Outra coisa, para a maioria dos detentos que estão trabalhando ali não é interessante fugir porque eles estão prestes a sair”, relatou um dos investigadores.

No caso de Luiz Oliveira, se faz importante indagar como o preso evoluiu tão rápido na progressão de pena para ter a oportunidade de trabalhar ali? Houve uma revisão legal da Justiça ou a liberação partiu de uma ordem unilateral da Secretaria Estadual de Ressocialização?

Outro fato não menos problemático é que não existe, pelo que se observou, uma empresa licitada para atuar na reforma da cadeia de Serra. Isso que dizer que o governo do Estado estaria utilizando presos para reformar as celas em que eles próprios ficarão futuramente, o que parece ser um perigo ainda maior.

Com isso, a reforma da cadeia passa na verdade por retoques paliativos e não uma reestruturação física, como se imaginava. Os próprios detentos manipulam e decidem a quantidade de cimento que irão rebocar as paredes.

Nos parece que, se for reativada, dessa maneira, a cadeia de Serra estará ainda mais precária do que antes. Parafraseando alguns agentes ouvidos durante a escrita deste artigo, estaríamos diante de uma tragédia anunciada.

Se assim for, a fuga de Luiz Oliveira e o homicídio de Márcia Daniele foram só os primeiros sintomas do que realmente pode estar por vir.

Polícia Civil acredita que Luiz Oliveira escapou por este buraco

 

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