Fotos: Licca Lima/Farol de Notícias
Fotos: Licca Lima/Farol de Notícias

A Praça Sérgio Magalhães, no centro de Serra Talhada, será palco da 1ª Feira Regional da Reforma Agrária, evento que acontecerá neste fim de semana, tendo início na sexta-feira (19) e segue até o sábado (20), reunindo agricultores, assentados, instituições públicas e representantes de diversos municípios da região. A programação acontecerá durante dois dias, com atividades voltadas à comercialização de produtos da agricultura familiar, prestação de serviços e debates sobre temas sociais, ambientais e culturais.

Nesta quarta-feira (17), Giovanni Sá recebeu no Programa Falando Francamente, da Tv Farol de Notícias no YouTube, as representantes do Movimento Sem Terra, MST, Sandra e Maria Aparecida.

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Segundo os organizadores, a expectativa é reunir um grande número de feirantes e expositores, além de oferecer atendimentos por meio de órgãos como o INCRA, secretarias municipais de Saúde, Assistência Social, Agricultura, Meio Ambiente e da Mulher, além de instituições financeiras como o Banco do Nordeste e o programa Agroamigo.

Para os representantes do movimento, a feira vai além da comercialização de produtos. O objetivo é fortalecer o diálogo entre a população urbana e rural, promovendo reflexões sobre alimentação saudável, agroecologia, meio ambiente e produção sustentável.

A programação contará com plenárias temáticas sobre agronegócio e alimentação saudável, juventude, população LGBT+, agroecologia e infância, além de espaços voltados à saúde integrativa. Também estão previstas apresentações culturais com grupos de xaxado, quadrilhas juninas e outras manifestações artísticas da região.

As atividades terão início às 8h30 da manhã e seguirão durante todo o dia. Na sexta-feira (19), haverá transmissão do jogo da Seleção Brasileira em telão e apresentação musical para encerrar a programação noturna. No sábado, os debates e atendimentos continuam ao longo do dia.

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“A gente está realizando a primeira feira da reforma agrária, a primeira feira regional. Vai ter vários municípios, os mais próximos, mas é uma feira regional. Então a gente está com uma grande expectativa, com muitos feirantes, muita produção que vai estar na feira, mas também vamos ter várias atividades que vão ocorrer. Então vamos ter serviços que vão ser prestados, como o serviço do INCRA, da assistência social do município, da Secretaria de Saúde, da Secretaria da Mulher, da Agricultura, do Meio Ambiente, do Banco”, explicou Sandra, complementando:

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“É um evento que marca a nossa luta porque pensar a questão da feira, para muitos pode ser mais uma banca, mais uma venda, e para nós não. É mais do que um evento, porque é uma conquista de um espaço que a gente está ali. Para a reforma agrária, ela ocupa um espaço grandioso, que é justamente essa questão dessa relação direta das pessoas que estão nos assentamentos e acampamento, com esse diálogo da sociedade, trazendo esse debate, de que a gente precisa pensar na produção, para além de só produzir o que produzir”, finalizou.

MÉDICA COM FORMAÇÃO NA VENEZUELA

Durante a divulgação da feira, também foi destacada a participação da médica Maria Aparecida, natural de Serra Talhada e filha de assentados do Assentamento Virgulino Ferreira. Recém-formada pela Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), na Venezuela, ela relatou a experiência de seis anos de formação no país sul-americano.

Maria Aparecida explicou que ingressou no curso por meio de uma articulação entre movimentos sociais ligados à Via Campesina e projetos de integração latino-americana. Segundo ela, a formação reuniu estudantes de diversos estados brasileiros e teve como foco a preparação de profissionais para atuar em seus países de origem após a conclusão do curso.

A médica destacou os desafios enfrentados durante o período no exterior, como a adaptação cultural, a distância da família e o aprendizado de um novo idioma, mas ressaltou a importância da experiência para sua formação profissional e humana.

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“Eu sou filha de assentado do assentamento Virgulino Ferreira, aqui de Serra Talhada, em Serrinha. Não é bem como um convênio, mas sim como uma integração. A escola onde eu estudei, a ELAM, que é a Escola Latinoamericana de Medicina, é um projeto que foi criado desde 2005, que se iniciou em Cuba, no governo de Fidel Castro e junto com Hugo Chávez, que era o então ex-presidente da Venezuela, trouxeram esse projeto também pra Venezuela. É uma escola que atende estudantes internacionais e tem 15 anos que a ELAM da Venezuela tem essa construção de formar médicos e médicas internacionais de outros países e que voltam para seus países de origem para poder atuar como médico. Eu cheguei através do projeto ALBA, que tem esse vínculo com o Movimento Sem Terra através da Via Campesina, que é o nosso movimento de construção e através da Via Campesina, o Movimento ALBA, eu recebi esse convite”, pontuou Aparecida, complementando:

“Daqui do Brasil, nós fomos em uma turma de 52 estudantes do país inteiro, de vários estados, para a Venezuela em 2019, é esta turma que está voltando agora após formado e tivemos todo um processo de preparação, de conhecer a situação da Venezuela, uma análise de conjuntura sobre a situação atual do país da Venezuela, de conhecer a própria história da Venezuela, de conhecer quem foi Hugo Chávez, de conhecer todo esse processo formativo, político e organizativo da Venezuela. Erámos todos muito jovem na nossa turma, na qual tinham pessoas que estavam siando da adolescência, entrando na juventude, mas que estava tendo a oportunidade de estudar medicina e foi”, finalizou a médica.

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