Por Paulo César Gomes, Professor, escritor e colunista do Farol
A coluna “Viagem ao Passado, destaca neste domingo uma fotografia acima que faz parte do álbum de família do faroleiro e empresário Marcos Godoy, o Marquinhos da Farmácia do Povo, que gentilmente nos enviou essa verdadeira relíquia histórica.
Na imagem, vemos a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, compondo o cenário da reforma da Praça Agamenon Magalhães, realizada durante a gestão do ex-prefeito Hildo Pereira (1978-1982). Chama a atenção que, ao lado direito da fotografia, podemos identificar o histórico Jipe do Padre Afonso, que foi pároco do lendário templo em dois períodos: 1967 e 1984.
Abaixo, temos uma outra imagem do anfiteatro da Concha Acústica, idealizado pelo saudoso “Seu Dito”. Antes dessa reforma, o espaço era aberto ao público, inclusive com trânsito de veículos.
Ambas as fotos faziam parte de um coletânea de cartões portais que istravam a cidade para os visitantes guardarem de recordação e também para serem enviados para os filhos ausentes saudosos da sua terra querida.
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Vale também registrar que todo o contorno da Concha foi calçado com pedras portuguesas, material que dá um charme especial ao local e que lembra o famoso calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Essas imagens nostálgicas nos remetem aos saudosos anos 1980, quando a Concha Acústica era um importante espaço de socialização. Naquele período, havia vários bares e restaurantes funcionando, música ao vivo, missas dominicais celebradas pelo Padre Assis Rocha e apresentações no Cine Art.
A Concha fazia parte da vida cotidiana dos serra-talhadenses. Era um espaço de encontros, conversas, diversão e convivência entre crianças, jovens, adultos e famílias.
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Passadas quase quatro décadas, porém, a Concha Acústica encontra-se em situação de abandono. É possível observar a depredação de bancos e canteiros, além do forte odor de urina e fezes em alguns pontos.
Durante a noite, o local tornou-se praticamente esquecido, deixando de oferecer as condições necessárias para que crianças, jovens e adultos possam utilizá-lo como espaço de lazer e convivência. É lamentável!
A Praça Agamenon Magalhães, a popular Concha Acústica e o Marco Zero de Serra Talhada fazem parte da memória afetiva de várias gerações. Recuperar esse espaço significa, também, preservar uma parte importante da história e da identidade da nossa cidade.
As fotografias antigas nos mostram o que fomos. A situação atual nos faz refletir sobre o que estamos deixando para as próximas gerações.

1 comentário em A Concha Acústica dos anos 80 não tinha o abandono como cartão-postal