A história de Seu Zé Vim Vim, um dos primeiros taxistas de ST
Fotos: Reprodução

Por Paulo César Gomes, Professor, escritor e historiador e colunista do Farol

A coluna “Viagem ao Passado”, destaca neste domingo a história de um dos primeiros taxistas de Serra Talhada, Seu Zé Vim Vim, ou como alguns preferiam chamá-lo, Zé do Táxi. Mais que um taxista, ele foi um personagem vivo do cotidiano de Serra Talhada, que transformava uma corrida em um momento agradável através do seu jeito simples e pelas boas conversas.

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José de Oliveira Neto nasceu em 12 de janeiro de 1929, na Fazenda Jatobazinho, zona rural do município, filho de José Manoel de Lima, o conhecido Neco Rosa, e de Januária Maria de Lima. Era o segundo de nove irmãos, criado num tempo em que a vida ensinava cedo e com dureza. Como tantos nordestinos, tentou a sorte longe de casa: em 1957, seguiu para São Paulo. Mas a saudade falou mais alto. Um ano depois, estava de volta à terra natal, certo de que seu lugar era ali.

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Em 1958, casou-se com Maria de Lourdes Oliveira, companheira de vida com quem formou sua família e teve três filhos: Djailson Luiz de Oliveira, Gilson Oliveira do Nascimento e Mônica Cristina de Oliveira (in memoriam). Os estudos foram até a 4ª série primária — limite imposto pelas condições da época —, mas nunca lhe faltaram inteligência prática, espírito empreendedor e uma habilidade rara de lidar com pessoas.

Antes do táxi, veio a bodega, na tradicional Rua Rui Barbosa, no centro da cidade. Mas havia uma paixão que falava mais alto: os carros. Ao fechar o pequeno comércio e comprar seu jeep, deu início ao caminho que o tornaria conhecido em toda a cidade. O carro de aluguel virou profissão, vocação e identidade. Assim nasceu o Zé do Táxi, mais tarde eternizado no apelido carinhoso de Zé Vim Vim — desses que só a intimidade popular sabe criar.

No volante, carregava mais do que passageiros. Levava histórias, notícias, conselhos e gargalhadas. Pontual, respeitoso, prestativo e sempre bem-humorado, construiu amizades em todos os segmentos sociais. Atendeu ricos e pobres, conhecidos e desconhecidos, sempre com a mesma alegria e dignidade. Seu trabalho foi longo, diário e essencial — um serviço silencioso, mas de enorme relevância para a cidade, fazendo dele um dos precursores do táxi em Serra Talhada.

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Fora do trabalho, mantinha firme sua fé. Devoto fervoroso de Nossa Senhora da Penha, estava sempre presente nas celebrações e festividades da antiga Matriz, misturando devoção e convivência comunitária. No futebol, dividia o coração entre o Comercial Futebol Clube, orgulho local, o Santa Cruz Futebol Clube, o tricolor de aço, e o Corinthians, mostrando que até nas paixões esportivas havia espaço para mais de um amor.

Zé Vim Vim faleceu em 02 de julho de 2012, vítima de um AVC. Partiu o homem, ficou a lembrança. Ficou o som do carro chegando, a conversa na esquina, o aceno rápido antes de seguir viagem. Na memória de Serra Talhada, ele continua rodando — não mais pelas ruas, mas pelas histórias que ajudou a construir.

Porque algumas pessoas não apenas passam pela cidade. Elas a conduzem!