A Jufra e o legado de fé deixado por Augusto Duarte em Serra Talhada

Por Paulo César Gomes

Voltar ao passado é, muitas vezes, reencontrar não apenas rostos, mas valores, vínculos e formas de viver que ajudaram a moldar a identidade de uma cidade. Em Serra Talhada, esse mergulho na memória nos leva às décadas de 1970 e 1980, quando a juventude encontrava na fé, na amizade e na convivência comunitária um caminho de formação humana e social.

É nesse cenário que se destacam a trajetória de seu Augusto Duarte e sua família, bem como a atuação marcante da JUFRA — a Juventude Franciscana.

Continua depois da publicidade

As imagens que ilustram esta matéria, gentilmente enviadas por uma leitora ao jornalista Giovanni Sá Filho, são verdadeiros documentos históricos. Mais do que fotografias, são fragmentos vivos de uma época em que ser jovem em Serra Talhada significava participar, conviver e construir coletivamente.

Receba as manchetes do Farol em primeira mão pelo canal (clique aqui)

Uma das fotos em destaque revela uma reunião da JUFRA. Nela, chama atenção a figura de um jovem disciplinado, de semblante firme e bigode marcante: trata-se de Anildomá Willams de Souza, o conhecido Domá, filho de João da Federal. Também fez parte desse importante movimento cristão, Giovanni Sá, jornalista, poeta, ator e editor-chefe do site Farol de Notícias. Giovanni Sá, por sinal, representou São Francisco, na peça dirigida por Domar. À esquerda na imagem, Domá já despontava como talento nas artes cênicas, iniciando uma trajetória que o levaria ao reconhecimento no teatro local. A fotografia captura não apenas um momento, mas o início de uma vocação.

Outras imagens nos apresentam figuras igualmente importantes: seu Augusto Duarte é personagem central de uma geração que ajudou a construir laços comunitários sólidos; o então jovem Custódio Sá — que mais tarde se tornaria padre — ao lado de sua saudosa esposa, Dona Lú. São registros de encontros, aniversários e momentos de lazer que, ao que tudo indica, incluíam passeios às margens do Rio Pajeú, espaço simbólico da convivência sertaneja.

A JUFRA

A JUFRA, naquele período, era muito mais do que um grupo religioso. Ligada à espiritualidade de São Francisco de Assis, a Juventude Franciscana representava um verdadeiro espaço de formação integral. Jovens se reuniam não apenas para rezar, mas para refletir sobre a vida, encenar peças teatrais, participar de atividades culturais e fortalecer valores como solidariedade, simplicidade e compromisso social.

Os encontros aconteciam, entre outros locais, no tradicional Colégio Imaculada Conceição, reforçando a conexão entre educação e religiosidade. Ali, muitos jovens deram seus primeiros passos na vida pública, aprendendo a dialogar, organizar e liderar. Não por acaso, vários integrantes da JUFRA viriam a ocupar espaços de destaque na sociedade serra-talhadense.

Continua depois da publicidade

Mas talvez o maior legado da JUFRA tenha sido a construção de uma juventude ativa, engajada e consciente de seu papel no mundo. Em tempos sem redes sociais ou tecnologia digital, o encontro presencial era a base de tudo: o olhar, a conversa, o riso e a partilha.

Os principais fatos de Serra Talhada e região no Farol pelo Instagram (clique aqui)

Hoje, ao revisitarmos essas imagens, fica o convite: quem mais você reconhece nessas fotografias? Quais histórias ainda estão guardadas na memória de quem viveu esse tempo? Identificar esses rostos é também reconstruir a história de uma geração.

Porque, no fim das contas, a história de Serra Talhada não está apenas nos livros ou nos arquivos oficiais — ela vive na lembrança de seu povo. E colunas como esta existem para garantir que essas memórias não se percam no tempo.

AUGUSTO DUARTE FEZ HISTÓRIA

Paz e bem! Perfil AUGUSTO JOSÉ DUARTE que nasceu no dia 09.09.1914 e partiu no dia 27.08.1989, aos 74 anos, 11 meses e 13 dias.

Seus pais: José Luiz Duarte e Maria Rita Duarte. Foi o segundo filho do casal. E teve 10 irmãos. Do segundo casamento do seu pai, teve mais 5 irmãos. Vai-se o HOMEM, porém, ficam suas obras.

Continua depois da publicidade

O grande legado deixado pelo Senhor AUGUSTO JOSÉ DUARTE, foi o seu exemplo de vida. Homem dotado de uma iluminação Divina, foi à luta para conquistar seus sonhos e movido pelos bons princípios de um homem cristão, brilhou em todos os seus estados de vida, em todas as suas atitudes como filho, irmão, esposo, pai, avô, amigo, bem como em suas atividades exercidas para a sua sobrevivência e da sua família. Ele também mostrou o brilho dessa luz divina em tudo o que realizou no decorrer da sua existência.

Foi um grande empreendedor para o seu tempo. Comerciante polivalente, desde ser feirante em diversas cidades vizinhas até a criação de uma filial dos seus negócios na cidade de Cabrobó-PE.

Aqui em Serra Talhada, foi o único que se destacou na venda de artigos funerários da época, desde os tecidos até os enfeites para os caixões fabricados pelo também inesquecível Senhor Andrelino Bezerra, pai do nosso grande empresário, Paulo do nosso conceituado BM.

No meio da sua religiosidade, estavam seus profundos sentimentos de caridade cristã. Desde 08.12.1941, foi fundada aqui em Serra Talhada, a Ordem Terceira de São Francisco que desde 24.06.1978, passou a chamar-se Ordem Franciscana Secular.

E o Senhor Augusto José Duarte, já entrou na Ordem assumindo o cargo de Secretário. E tempos depois assumiu a cargo de Ministro por 32 anos seguidos.

Continua depois da publicidade

Existiu a JUFRA – Juventude Franciscana, fundada aqui em Serra Talhada, no dia 26.01.1976, justamente, quando o Sr. Augusto exercia o cargo de Ministro da Ordem Franciscana Secular.

A JUFRA, continua ativa em muitas cidades por aí. Aqui em Serra Talhada está desativada.

E MAIS

Foi fundador da Casa dos Pobres, juntamente, com os senhores José de Almeida, Joaquim Cururu e José Rosa Magalhães, hoje denominado de Abrigo Ana Ribeiro. Repito: a religiosidade, a caridade, sempre foram sua marca registrada. Homem íntegro, honesto, de atitude, de ação, sempre no serviço a favor de um ser humano carente, independente de quem fosse.

Morre o homem. Porém, suas ações ficam gravadas para sempre na memória de quem o conheceu, de quem com ele conviveu, de quem recebeu dele uma ajuda material ou até mesmo de uma simples palavra de encorajamento.

Serra Talhada reconhecendo as qualidades, os legados deixados pelo seu filho ilustre, e através da sua Câmara de Vereadores, no Bairro do IPSEP, há uma rua conhecida como: Rua Augusto José Duarte