Adesão à vacina bivalente é baixa em PE

Foto:Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Por Folha de Pernambuco

‘Quase três meses após a liberação da vacina bivalente contra a Covid-19 para toda a população, a adesão ainda é baixa em Pernambuco.

De um público-alvo de 8.007.984 pessoas, apenas 11,8% tomaram o imunizante, que protege contra a cepa original do coronavírus Sars-CoV-2, a ômicron e suas subvariantes, até agora. A porcentagem corresponde a 945.118 doses aplicadas, segundo dados do Ministério da Saúde compilados até a noite de segunda-feira (17).

Números de todo o Brasil atestam que a procura está baixa em todos os estados. São Paulo tem a maior taxa do País, mas não passa sequer dos 20%. No estado paulista, a cobertura é de 19,93%. Em segundo está o Distrito Federal, com 19,16%. O último colocado é o estado de Roraima, onde apenas 4,72% da população tomou a vacina.

Pernambuco tem ainda a terceira pior cobertura do Nordeste, à frente apenas de Alagoas (8,94%) e do Maranhão (8,73%). A taxa mais alta da região é do Piauí (17,16%), terceira maior do País.

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Essa baixa procura pelo imunobiológico preocupa as autoridades de saúde. No primeiro semestre, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) lançou uma campanha de mídia com foco na atualização da caderneta de vacinação dos pernambucanos, inclusive para a proteção de reforço para Covid-19.

“As baixas coberturas vacinais sempre serão preocupantes, pois possibilitam a criação de bolsões de populações desprotegidas contra as doenças, que propiciam a manutenção da circulação dos vírus no território”, disse a Secretaria Estadual de Saúde. A campanha alertava a população para as demais vacinas presentes no calendário nacional como poliomielite, sarampo, hepatite, coqueluche e tétano.

Em termos proporcionais, o município pernambucano com maior cobertura da dose bivalente é Carnaubeira da Penha, no Sertão, com 51,54%. A cidade é a única a passar da casa dos 50%.

Na sequência, aparecem Brejinho (30,39%), Cedro (29,95%), Tabira (28,68%) e Salgueiro (28,40%). A cidade com a menor cobertura do Estado é Xexéu com apenas 1,34%. As cinco cidades também ficam no Sertão do Estado.

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O Recife aplicou um total de 118.310 doses, o equivalente a 8,26% de sua população elegível a tomar a bivalente.

O infectologista da Interne Soluções em Saúde Rafael dos Anjos credita a baixa cobertura à disseminação de fake news contra as vacinas e ao crescimento do movimento antivax.

“Ainda é uma realidade [as fake news], inclusive profissionais de saúde ainda referem-se à vacina como não experimentada, que não foi que tem seus riscos, e isso traz repercussão para a população. Se o profissional fala isso, a pessoa fica com receio e acaba se negando a tomar a vacina”, alerta, ao citar que grupos cada vez maiores dizem que vacinas não trazem benefícios.

“Isso é uma fonte muito errada de informação. Nos últimos 100 anos, a gente conseguiu evoluir a saúde pública. Muitas pessoas deixaram de morrer ou ficar doentes por causa das vacinas”, completa Rafael dos Anjos.

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O médico defende a educação em saúde como fator que pode ajudar no contexto da melhoria das taxas de cobertura. “A gente precisa se comunicar melhor. A gente como profissional de saúde muitas vezes é muito erudito, fala muito difícil, é muito difícil para a população entender. O erro não é da população que não entende, é da gente que não está se fazendo entender”, pontua o infectologista.

A SES-PE afirmou ainda que mantém contato permanente com gestores municipais e ressalta a importância das estratégias de incentivo à vacinação e da oportunização do acesso aos imunizantes em tempo oportuno.

A pasta estadual também destaca que recomenda os municípios a ofertarem a vacina em locais de grande circulação de pessoas, em escolas, postos volantes, centros de vacinação, unidades em funcionamento em horário estendido, além de ações porta a porta – que inclui o acesso da população com dificuldades de locomoção.